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EUA devem retirar um terço dos caças que disponibilizam à OTAN, limitando capacidade da Europa de realizar ataques

Por Redação Juruá em Tempo.12 de junho de 2026Updated:12 de junho de 20265 Minutos de Leitura
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Os Estados Unidos planejam reduzir significativamente as aeronaves e navios de guerra que disponibilizam para operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa, segundo dois altos funcionários europeus. A medida acelera o esforço americano de diminuir a proteção oferecida aos aliados europeus ao longo de oito décadas.

A decisão limitará a capacidade da OTAN de realizar ataques de longo alcance e operações de vigilância, e foi comunicada aos aliados no início de junho por meio de um documento escrito, cujas partes foram analisadas pelo New York Times. Os funcionários europeus, que foram informados sobre a decisão, falaram sob condição de anonimato para discutir com mais liberdade planos militares sensíveis.

As reduções planejadas incluem:

  • Reduzir o número de caças F-16 e F-15E de aproximadamente 150 para 100;
  • Reduzir as aeronaves de reconhecimento marítimo de 26 para 15 e retirar todos os oito aviões-tanque de reabastecimento aéreo anteriormente disponíveis para a Europa;
  • Reposicionar um submarino lançador de mísseis e um porta-aviões, juntamente com vários navios de guerra e dezenas de aeronaves que participam das missões do porta-aviões;
  • Reposicionar um dos dois grupos de bombardeiros anteriormente designados para a defesa da Europa.

O Pentágono se recusou a comentar os números específicos contidos no documento e remeteu a um comunicado divulgado por seu Comando Europeu na semana passada, que abordava em termos gerais a intenção de reduzir seus compromissos na Europa.

Esses detalhes, alguns dos quais foram divulgados inicialmente pelo jornal alemão Die Welt, oferecem o retrato mais claro até agora da extensão da redução do compromisso do governo Trump com a OTAN, uma aliança militar criada após a Segunda Guerra Mundial. O principal objetivo da OTAN era proteger os aliados dos Estados Unidos na Europa contra ameaças externas, como a União Soviética, e seus membros europeus ainda a consideram essencial para dissuadir a Rússia.

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O Pentágono ainda não divulgou publicamente o cronograma da redução, mas autoridades americanas indicaram que ela entrará em vigor muito em breve — muito antes do que os europeus esperavam. A retirada abrupta das forças americanas afetaria a capacidade da OTAN de, por exemplo, monitorar o tráfego de submarinos russos ou lançar mísseis Tomahawk de longo alcance em território russo.

Embora os europeus possuam capacidades semelhantes de lançamento de mísseis, especialistas afirmam que essas armas têm um efeito dissuasório maior quando operadas pelos Estados Unidos, já que os europeus podem ser mais cautelosos em empregá-las.

— Embora cada um desses cortes possa ser administrado individualmente, juntos eles representam uma mudança significativa de postura e criam desafios para a prontidão de dissuasão europeia em todos os níveis — afirmou Giuseppe Spatafora, do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, um centro de pesquisa sediado em Paris.

Ameaças de Trump

O presidente Donald Trump reclama há anos do peso que os Estados Unidos assumem em sua contribuição para a OTAN. Ele tem pedido repetidamente que a Europa faça muito mais para se defender sem o apoio americano e chegou a ameaçar retirar os EUA da aliança. No entanto, até então, seu governo havia se limitado a anúncios pontuais de pequenas retiradas de tropas de países específicos — até o documento de junho detalhar reduções abrangentes no apoio americano à OTAN como um todo.

Os cortes serão parcialmente compensados pelo fato de que as tropas americanas na Europa continuarão representando uma das maiores forças da OTAN no continente. Além disso, seus efeitos serão amenizados porque os líderes europeus, percebendo a necessidade de depender menos dos Estados Unidos, já estavam em processo de rearmamento de seus países.

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Mas o secretário de Defesa do Reino Unido renunciou na quinta-feira, acusando o governo de investir muito pouco nas Forças Armadas. Além disso, a Europa enfrenta dificuldades para coordenar seu rearmamento. Na terça-feira, a Alemanha confirmou sua retirada de um projeto conjunto com França e Espanha para desenvolver um novo caça de combate.

Para alguns europeus, o número exato de recursos militares americanos posicionados na Europa é menos importante do que a questão de saber se Trump estaria disposto a utilizá-los em combate. Anton Hofreiter, parlamentar alemão, declarou:

— A principal dificuldade da OTAN é que, enquanto Trump for presidente, não existe mais confiança de que os Estados Unidos socorreriam os europeus em caso de emergência.

A redução ocorre em um momento particularmente tenso para a Europa. No final de maio, um drone russo atingiu um prédio residencial na Romênia, o primeiro ataque desse tipo em uma grande área urbana dentro do território da OTAN. Somado a outras incursões de drones russos no espaço aéreo da aliança, o episódio aumentou os temores europeus de que a Rússia possa expandir sua agressão para além da invasão da Ucrânia.

General Alexus G. Grynkewich, chefe do Comando Europeu do Pentágono — Foto: SIMON WOHLFAHRT / AFP
General Alexus G. Grynkewich, chefe do Comando Europeu do Pentágono — Foto: SIMON WOHLFAHRT / AFP

Conflitos simultâneos

Ed Arnold, do Instituto Real de Serviços Unidos (Royal United Services Institute), um centro de estudos de segurança em Londres, afirmou que, embora a redução pudesse ser ainda maior, “ela terá o efeito de concentrar as atenções”.

Os detalhes da redução foram comunicados de forma reservada enquanto altos funcionários da Defesa dos EUA falavam publicamente sobre a intenção de redistribuir forças para proteger interesses americanos na região do Indo-Pacífico.

O chefe do Comando Europeu do Pentágono, general Alexus G. Grynkewich, declarou no início de junho:

— Houve uma dependência excessiva e pouco saudável do Modelo de Forças da OTAN em relação às forças americanas.

O general, que também é o principal comandante militar da OTAN, acrescentou:

— O presidente Trump, o secretário Hegseth e outros deixaram claro que isso precisa mudar, e vai mudar. A possibilidade real de conflitos simultâneos em múltiplos teatros de operações exige isso.

Por: O Globo.
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