Um funcionário da Ricco Transportes, que não quis se identificar por medo de represalias, denunciou ao ac24horas, nesta quinta-feira (18), que os salários dos trabalhadores da empresa estão atrasados desde o dia 5 e que parcelas de empréstimos consignados descontadas em folha não estão sendo repassadas aos bancos credores.
O crédito consignado privado, conhecido como Crédito CLT, é uma modalidade de empréstimo destinada a trabalhadores com carteira assinada, na qual as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. Por oferecer ao banco a garantia de recebimento direto do salário, a linha pratica taxas de juros menores do que as de empréstimos pessoais comuns. A parcela mensal não pode comprometer mais de 35% do salário líquido do trabalhador.
Segundo o denunciante, o atraso sistemático no pagamento levou muitos funcionários a recorrer a essa modalidade. “Os nossos salários tão atrasado desde o dia 5. Hoje é 18/19. Só uma parte recebeu e outra parte não recebeu. Pagaram só o vale”, relatou.
O funcionário afirmou que os valores estão sendo descontados dos salários, mas não chegam aos bancos. “Já foram descontado e o banco não recebeu. O banco faz cobranças diárias”, disse. Ele citou o Banco Ribeirão Preto como um dos credores e informou que a instituição chegou a exigir um boleto para quitação, apesar de já ter efetuado o desconto em folha. “E eles pediam boleto, sendo que eles já tinham descontado com a dívida. Mas nem todo banco emite o boleto. O banco quer o repasse diretamente da folha”, explicou.
O trabalhador relatou que foi surpreendido ao ter uma compra recusada em uma loja em decorrência da inadimplência gerada pela situação. “Hoje eu fui surpreendido porque fui em uma loja e não consegui fazer compra”, afirmou. Segundo ele, há colegas com dívidas superiores a R$ 20 mil. “Tem amigo que tá devendo mais 20 mil pro banco e essas parcelas não estão sendo pagas.”
O denunciante informou também que os trabalhadores enfrentam dificuldades para obter respostas do setor de recursos humanos da empresa. “Você vai no RH, eles não atendem”, disse. Segundo ele, funcionários que reclamam sofrem represálias. “A gente faz hora extra e não recebe e quando vamos questionar, dizem que não tem nada a receber, falamos dessa situação e eles dizem que vão pagar, atrasam salário… Mas como a gente precisa do trabalho, a gente vai se submetendo a esse tipo de situações”, afirmou.
De acordo com o funcionário, no dia 11 de junho, todos os trabalhadores foram convocados para uma reunião presencial, anunciada por comunicado interno assinado pela sócia-administradora Bruna Fernandes Dias, e foram surpreendidos com a entrega do aviso prévio. O proprietário da empresa teria se comprometido a pagar os salários atrasados até o dia 12 de junho e a iniciar os acertos trabalhistas a partir do dia 15. Até esta quinta-feira (18), nenhum dos compromissos havia sido cumprido. “Vivemos momentos de tensão”, disse o trabalhador.

