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Goleada no Maracanã lança dúvidas e sombras sobre titulares da seleção

Apesar da goleada, o 6 a 2 sobre o Panamá não mostrou uma seleção pronta para a Copa. Em compensação, o amistoso cumpriu sua função de aproximá-la da torcida. Além disso, apresentou as sombras que devem acompanhar os jogadores no Mundial. Principalmente a de Neymar, tratado pelo público como protagonista da festa — ainda que não tenha jogado. Mas também a dos reservas, que foram os responsáveis por empolgar a arquibancada do Maracanã.

O estádio foi palco de uma grande celebração montada pela CBF. Teve show de Ivete Sangalo, com a participação de pentacampeões como Ronaldinho Gaúcho e Denílson, hino cantado por Belo e Alcione e diversas ações dos parceiros comerciais da entidade evocando o sentimento verde e amarelo do torcedor. Mas nada provocou tanta euforia quanto a aparição de Neymar no aquecimento.

Os gritos de “Olê, olê, olá, Neymar, Neymar” ecoaram com força naquele momento — e voltariam em outros. Em recuperação de lesão na panturrilha direita, o camisa 10 entrou no gramado e acompanhou a atividade dos companheiros.

Candidatos a tomar os holofotes não faltaram. O primeiro foi Vini Jr., que entrou em alta rotação e marcou um golaço em chute de fora da área logo no primeiro minuto.

Só que a etapa inicial não correspondeu à expectativa criada pelo gol relâmpago. Quase toda titular — a dupla de zaga era a exceção —, a seleção teve dificuldade para criar e dependeu de arrancadas pelos lados. Para completar, ainda deu brechas ao rival, que empatou quando a falta cobrada por Murillo desviou em Matheus Cunha e enganou Alisson, aos 7.

Impaciente, a torcida vaiou Léo Pereira, por um erro de saída de bola no começo do jogo, e Alisson, pelo gol sofrido. E voltou a pedir por Neymar. A festa só não virou um enterro antes do intervalo porque, aos 38, Casemiro desviou de cabeça o chute de Vini Jr. e desempatou. Foi o 11º gol do volante na temporada, a mais artilheira de sua carreira.

O Maracanã até reconheceu o bom primeiro tempo de Vini, um dos poucos destaques da etapa. Mas a verdade é que foi o time do segundo tempo — Ancelotti mudou 10 jogadores no intervalo, mantendo apenas Léo Pereira — que acabou com o misto de apatia e impaciência que reinava na arquibancada.

O Brasil da etapa final podia não ter entrosamento, como o do primeiro tempo também não tinha. Mas mostrou aquilo que mais importa para o público: fome de bola. E brilharam justamente os jogadores mais identificados com a torcida do Rio.

Rayan foi o primeiro. Entrou bem pela direita e marcou um belo gol por cobertura ao perceber o goleiro Mosquera adiantado, aos 7, para delírio da arquibancada, que cantou em uníssono o funk que enaltece a joia vascaína. Mérito também de Igor Thiago, que pressionou a saída panamenha no lance.

Mas os grandes nomes do segundo tempo foram mesmo Paquetá e Danilo Santos, que elevaram o poder de criação da equipe com visão de jogo e movimentação. Além disso, cada um marcou o seu.

O meia rubro-negro fez o quarto, aos 14, após bom corta-luz do alvinegro. Retribuiu o gesto aos 35, dando assistência para o volante do Botafogo marcar o sexto. Antes, aos 17, Igor Thiago fizera o seu, de pênalti, sofrido em lance no qual recebeu boa bola de Paquetá. Mostraram que podem fazer sombra aos titulares. Mas certamente nenhuma delas será maior do que a de Neymar.

O Panamá chegou a marcar seu segundo gol já no fim, com Harvey. Nada que abalasse a festa da torcida, que antes do apito final voltou a cantar pelo camisa 10.

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