O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quarta-feira que os EUA comprometeram os esforços diplomáticos para um cessar-fogo definitivo no Oriente Médio com os ataques lançados na noite de terça contra Teerã, em resposta ao abate de um helicóptero militar americano Apache pelas forças iranianas. A condenação diplomática ocorre em meio a uma campanha de retaliação que os militares da nação persa dizem ter alcançado instalações americanas em Bahrein, Jordânia e Kuwait — enquanto, internamente, autoridades tentam conter os danos provocados pela ofensiva americana.
— Infelizmente, os EUA estão prejudicando o processo diplomático com as mensagens contraditórias que estão enviando, com suas reiteradas mudanças de posição e de demandas e, o pior de tudo, com suas repetidas violações do cessar-fogo — afirmou em vídeo o principal porta-voz da chancelaria do Irã, Esmaeil Baghaei. — Qualquer processo diplomático é prejudicado pelo uso da força e pelo recurso a ações ilegais no terreno.

Irã acusa EUA de prejudicarem acordo de paz após ataques e retalia com bombardeios
A condenação no campo diplomático ocorre em meio a uma campanha retaliatória que voltou a afetar toda a região do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter “atingido e destruído quatro grandes alvos” na Jordânia, segundo um comunicado transmitido pela na rede estatal IRNA. Um vídeo obtido pela rede americana CNN mostrou o que parece ser uma explosão nos arredores de uma base americana em Manama, capital do Bahrein.
Ao todo, o Corpo da Guarda Revolucionária disse ter lançado 21 ataques contra bases dos EUA na região, além de ter abatido um drone MQ-9 sobre a região iraniana de Jam. Uma fonte americana ouvida pelo New York Times afirmou que o relato iraniano é falso.
O Exército jordaniano informou que derrubou cinco mísseis iranianos, sem relatar vítimas ou danos materiais, enquanto as Forças Armadas do Kuwait afirmaram que suas defesas aéreas repeliram “alvos aéreos hostis”, sem mencionar inicialmente a origem do ataque. Militares do Bahrein afirmaram ter interceptado projéteis iranianos nesta quarta e acusaram Teerã de violar o direito internacional humanitário com os ataques.
A diplomacia iraniana afirmou nesta quarta-feira que países vizinhos do Golfo têm a “responsabilidade legal e moral” de impedir os ataques americanos e israelenses a partir de seus territórios. O regime dos aiatolás já afirmaram que qualquer meio militar americano na região será visto como alvo lícito.
20 mil pessoas sem água
O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou na terça-feira que os ataques contra o Irã eram uma “resposta proporcional” ao abate de um helicóptero americano no litoral de Omã. O presidente Donald Trump afirmou que os ataques foram “muito fortes”, em meio aos relatos de alvos atingidos em Sirik, Minab e na ilha de Qeshm, segundo fontes iranianas, que confirmaram danos a infraestrutura civil.
Quase 20 mil pessoas ficaram sem acesso a água potável na cidade portuária de Sirik, no sul do Irã, em consequência dos ataques americanos, que atingiram dois reservatórios. Em entrevista à rede de TV estatal do país, o diretor de uma empresa local de abastecimento afirmou que as temperaturas na região “variam entre 45 e 50°C”, e que as condições são “extremamente difíceis”.
— Os recursos de água subterrânea são insuficientes para substituir os reservatórios danificados — afirmou. (Com AFP e NYT)

