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Lula ataca Rubio por tarifaço, diz que vai mandar carta para Trump e ameaça procurar outros parceiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta quarta-feira o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após o anúncio de novas tarifas a produtos brasileiros. Em reunião com ministros no Palácio do Planalto, Lula disse que recorrerá ao presidente Donald Trump e que pode procurar outros parceiros comerciais caso os americanos não estejam dispostos a negociar.

— Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana, não é possível — afirmou Lula. — Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado.

Durante a reunião no Planalto, uma tela ao fundo exibia os dizeres “o Pix é do Brasil”, em referência à acusação feita pelo Escritório do Comércio americano (USTR) para sobretaxar o Brasil, de que o país adota práticas desleais de comércio por meio do sistema de pagamentos instantâneo usado por milhões de brasileiros.

A defensa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula, que acusa a família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, de terem articulado as sanções junto a Trump.

Carta a Trump
O presidente também anunciou que pretende mandar uma nova carta a Trump para tentar derrubar as novas tarifas impostas ao Brasil pelo governo americano. Segundo Lula, a ideia é mostrar que os EUA “estão equivocados”.

— Vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados, equivocados e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária — disse Lula.

Novos parceiros

Lula ainda disse que, caso os EUA não aceitarem negociar, não vai “ficar chorando” e buscará novos parceiros comerciais.

— Eles têm o direito de não querer (negociar). Agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros, se ele não quer comprar a gente vai vender para quem quiser comprar, não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui vamos procurar outros. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Por conta da soberania, faremos tudo o que for necessário, não cederemos.

Embora a reunião ministerial tenha sido convocada antes dos anúncios feitos por Washington, os desdobramentos da relação entre Brasil e Estados Unidos dominaram o início do encontro. Nos últimos dois dias, o governo de Donald Trump concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Nesta quarta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) deu mais um passo e propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre importações brasileiras no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado. Paralelamente, os EUA também classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Participação no G7

O presidente disse que inicialmente não planejava ir à Cúpula do G7, entre os dias 15 a 17 de junho, em Paris, mas que após a nova decisão dos EUA, resolveu que irá ao encontro. A previsão é que Trump também participe.

Ele defendeu acordos multilaterais, entre vários países, como saída para evitar ações unilaterais como as adotadas pelos EUA ao tarifar os países.

— O que eu quero é provar que somente é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, o multilateralismo e se a gente tratar com responsabilidade a relação entre chefes de Estado — afirmou o presidente brasileiro.

Recado a ministros

O encontro ocorre em um momento de pressão externa após os Estados Unidos anunciarem novas medidas envolvendo o Brasil, incluindo a recomendação de tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Esta é a segunda reunião ministerial realizada por Lula em 2026. A primeira ocorreu em março, após a reforma ministerial promovida pelo governo em razão da saída de ministros que disputarão as eleições deste ano. Desde então, diversas pastas passaram a ser comandadas por novos titulares, muitos deles promovidos dos cargos de secretários-executivos.

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