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Medo de deixar cela especial, livros e plano para dívida: os dias de Vorcaro na prisão

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, confidenciou a pessoas que o visitaram nos últimos dias o temor de perder o direito à cela especial na Superintendência da Polícia Federal, condição que conquistou para ter mais tempo para conversar com os advogados sobre os termos do acordo de delação premiada.

Na quinta-feira, ele sofreu um baque duplo: a PF rejeitou novamente a proposta de colaboração e pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o executivo deixe a carceragem da superintendência, o que pode levá-lo novamente para a Penitenciária Federal de Brasília.

Mendonça ainda não tomou a decisão, mas as últimas horas representaram um revés na estratégia de Vorcaro, que vinha oscilando momentos dedicados a exercícios e leituras com tensão, angústia, solidão e até episódios de choro, segundo interlocutores que estiveram na superintendência.

A defesa espera que Mendonça tome uma decisão sobre o destino de Vorcaro ainda nesta sexta-feira, após ouvir também a Procuradoria-Geral da República (PGR) a respeito.

Sem televisão na cela, Vorcaro tem passado boa parte do tempo lendo e fazendo exercícios físicos. Segundo pessoas próximas, ele leu uma série de livros nesse tempo na carceragem — a maioria do gênero biografia ou sobre a história de crises no mercado financeiro, tema que viveu na pele. A Bíblia também não sai da cabeceira.

O tempo também é dedicado às conversas com advogados — das 9h às 17h — para traçar estratégias que busquem reduzir os danos de imagem e “zerem o seu CNPJ”, como tem dito.

Num escritório com mesa e cadeiras próximo à cela, ele “conduz” as reuniões com criminalistas e outros defensores especializados em direito empresarial e mercado de capitais para tratar das ações a que responde na Justiça.

Além de rascunhar os anexos da delação, com fatos e nomes, ele vinha indicando a localização de documentos para tentar comprovar que os seus fundos não eram compostos só por papeis podres. Segundo pessoas próximas, a ideia é tentar pagar uma parte da dívida de R$ 60 bilhões que acumulou no suposto esquema de fraudes financeiras apontado pelas autoridades.

Na cabeça de Vorcaro, recuperar parte do prejuízo na ação civil da liquidação do Master poderia ajudá-lo no processo criminal — e até sensibilizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a relaxar a sua prisão.

A interlocutores ele reconheceu que a rotina, ainda que muito distante da que vivenciava quando estava em liberdade, é melhor do que a dos dias em que foi transferido para a cela de passagem da Superintendência — bem menor do que a de Estado maior e com acesso limitado aos advogados por até 30 minutos. E muito menos à do Presídio Federal de Brasília, onde passou dias em silêncio.

Os momentos de solidão seguem sendo uma queixa do banqueiro, de acordo com interlocutores. Na última semana, Vorcaro ficou cinco dias sem receber a visita de ninguém devido ao feriado de Corpus Christi e mais um dia em que a Superintendência fechou para dedetização.

Os momentos de solidão seguem sendo uma queixa do banqueiro, de acordo com interlocutores. Na última semana, Vorcaro ficou cinco dias sem receber a visita de ninguém devido ao feriado de Corpus Christi e mais um dia em que a Superintendência fechou para dedetização.

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