Os “Meninos” de Daniel Vorcaro, núcleo tecnológico voltado a ataques cibernéticos, invadiram a nuvem (iCloud) e atacaram o WhatsApp do empresário Luiz Guilherme Camasmie, alvo de inquéritos por declarações contra o Banco Master.
É o que indicam trocas de mensagens entre o banqueiro e Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, obtidas pela Polícia Federal e anexadas no relatório da investigação.
Em 17 de outubro de 2024, Vorcaro encaminhou a Sicário uma captura de tela de uma mensagem enviada por Camasmie no grupo “Market Live”, comunidade no WhatsApp sobre mercado financeiro. No texto, o empresário critica o banqueiro pela postura de “jogador de futebol emergente” e afirma que “até o Neymar está menos deslumbrado”.
Diz a mensagem, premonitória:
“Nunca vi um banqueiro que fique tão em evidência e na boca do povo que não acabe preso ou falido”.
Segundo os diálogos, Sicário encaminha uma mensagem que diz: “já mandei derrubar WhatsApp”. Vorcaro, no entanto, manda esperar e avisa que vai notificar. Pontua, logo depois, que “o cara tem uma comunidade de mercado com milhares de pessoas”.
No dia seguinte, o Master enviou uma notificação extrajudicial a Camasmie para que ele apagasse a mensagem, alertando que poderia configurar não apenas difamação como também crime contra o sistema financeiro. O empresário excluiu o comentário.
Naquela mesma data, em 18 de outubro, Sicário escreve a Vorcaro: “Mora no Morumbi, foram lá”. Depois, encaminha uma mensagem que diz: “Cara mora onde o Silvio Santos morava kkk”. E pergunta “o que quer que eu faça?”.
No diálogo presente no relatório da PF, Vorcaro diz: “Não é ele. Não tem nada a ver. O banqueiro complementa: “Não é esse véio (sic)”. E Sicário responde: “Não é o Velho parece que o cara é parente dele”. Segundo Camasmie, a dupla se referia a seu pai, a quem pertencia a linha telefônica em questão.
Sicário então começa a mandar dados do empresário, como nome completo e um CNPJ. E indica: “Já mando tudo para vc”.
Pouco depois, Sicário envia uma imagem com dados de Camasmie, com fotografia, CPF, data de nascimento e até sua carteira de habilitação.
O capanga de Vorcaro encaminha ainda mensagens que dizem “A CNH dele tá caçada (sic) desde 2012” e afirmam que é “ele mesmo”. Acrescenta em seguida: “Aguardando o levantamento completo e lhe envio tudo”.
Após pouco mais de uma hora, Sicário questiona Vorcaro se ele “vai querer que faça algo” e diz que “os meninos estão dentro do icloud do cara”. Em tom de aprovação, o banqueiro responde: “boa”. À coluna, Camasmie afirmou que perdeu conteúdo armazenado na nuvem.
Segundo o empresário, ele foi alvo de ataques hacker também em 2025, quando perdeu cinco linhas e WhatsApps.
Em março do ano passado, Camasmie registrou um boletim de ocorrência por conta do ataque virtual e apresentou uma notícia-crime para que fossem apurados os crimes de perseguição, invasão de dispositivo móvel e estelionato. Ele também busca na Justiça uma indenização de R$ 50 mil.

