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O ministro de Lula citado na delação de Daniel Vorcaro

Por Redação Juruá em Tempo.10 de junho de 20264 Minutos de Leitura
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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, citou pelo menos um ministro de Lula em sua proposta de delação premiada. Alexandre Silveira, titular da pasta de Minas e Energia, foi citado nas duas propostas de colaboração entregues por Vorcaro à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Em seu relato, ele afirmou ter feito repasses no caixa 2 à campanha à reeleição no Senado Federal do então candidato do PSD de Minas Gerais.

De acordo com fontes ligadas à investigação, Silveira é o único ministro de Lula citado na proposta. Nas minutas apresentadas pelo ex-banqueiro, a doação no caixa 2 é apresentada sem muitos detalhes exceto pelo valor, de R$ 20 milhões.

Assim como nos outros capítulos do relato de Vorcaro, as informações foram consideradas insuficientes por integrantes da PF e do Ministério Público Federal porque Vorcaro não teria especificado as contrapartidas do acerto de caixa 2.

Procurado, o ministro não respondeu às perguntas da equipe da coluna. Interlocutores próximos afirmam que ele não conhecia Vorcaro à época e por isso acham que a alegação do dono do Master não faz sentido.

Filiado ao PSD, em 2022 Alexandre Silveira ocupava a vaga no Senado por Minas Gerais que pertenceu ao atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia, de quem era suplente. Disputou a reeleição com apoio de Lula na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte e correligionário Alexandre Kalil ao governo, mas ambos foram derrotados por Cleitinho (no PSC à época) e Romeu Zema (Novo), respectivamente.

Silveira é mineiro como Daniel Vorcaro e mantém relações próximas com o empresariado do estado. O ministro esteve entre os participantes da reunião entre o então CEO do Banco Master e o presidente Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, mediada por Guido Mantega. Além deles, também estiveram no encontro o titular da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, à época indicado para assumir o Banco Central (BC).

Não há registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de doações para a campanha de Alexandre Silveira a senador em nome de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, que atuava como operador financeiro do banqueiro e doou oficialmente R$ 3 milhões para o então presidente Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para seu apadrinhado político, Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito governador de São Paulo em 2022.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada no fim de abril, Silveira esteve na casa de Vorcaro em Belo Horizonte na data do segundo turno da eleição municipal de 2024, quando cumpriu agenda ao lado do então prefeito da capital, Fuad Noman. Em diálogos com a então noiva, Martha Graeff, o banqueiro gabou-se de estar “em reunião com Duda aqui, ele e ministro”.

De acordo com o jornal, Silveira era o único ministro de Lula em BH naquela data e Duda era o empresário Eduardo Wanderley, sócio da 3D Mineração, que recebeu investimentos do Master.

Embora não se conheça o inteiro teor da delação, até o momento Silveira é o principal aliado de Lula citado nas delações de Vorcaro.

O titular do Ministério de Minas e Energia era cotado para concorrer ao Senado novamente neste ano, o que exigiria sua desincompatibilização do cargo. Mas ele decidiu permanecer no governo até pelo menos o fim do terceiro mandato de Lula a pedido do presidente.

Até então, havia a expectativa em torno do núcleo do PT da Bahia, em referência ao ex-governador e ex-ministro Rui Costa, que credenciou o Credcesta na Bahia, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, responsável pelo modelo do edital do cartão de benefícios que viria a ser operado pelo Master e cuja nora recebeu pagamentos do banco.

Por: Malu Gaspar, dO Globo.
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