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Portugal tem fartura no setor para abastecer Cristiano Ronaldo e sonhar com título inédito

“Vai dar Portugal” é o lema da campanha dos portugueses para a Copa do Mundo de 2026 — a estreia é hoje, às 14h (de Brasília), contra a modesta RD Congo, em Houston, nos Estados Unidos. O nível de confiança pode soar estranho para uma seleção que ainda busca seu primeiro título mundial. Ainda assim, a frase de efeito está longe de ser um exagero.

Afinal, Portugal figura entre as favoritas não apenas pela presença de Cristiano Ronaldo, que deve fazer a última dança em sua sexta participação no torneio, mas também por contar com um elenco recheado de ótimos jogadores. Entre todos os setores, um se sobressai: o meio-campo.

O que mais impressiona é a fartura de opções na faixa central. Nomes como Vitinha (PSG-FRA), Bruno Fernandes (Manchester United-ING), Bernardo Silva (ex-Manchester City-ING), João Neves (PSG-FRA) e Rúben Neves (Al-Hilal-SA) oferecem um cardápio variado ao técnico espanhol Roberto Martínez, que tenta apagar a má impressão deixada na Copa de 2022, quando caiu ainda na fase de grupos com a Bélgica. No ano passado, já foi campeão da Liga das Nações com Portugal.

‘Vai dar Portugal’ é o slogan da campanha da seleção para a Copa do Mundo — Foto: FILIPE AMORIM / AFP

Nos últimos amistosos antes da Copa, Martínez optou por abrir mão de um dos meias para escalar dois atacantes pelos lados. Rafael Leão (Milan-ITA), Francisco Conceição (Juventus-ITA) e Pedro Neto (Chelsea-ING) foram os mais utilizados em uma formação no 4-3-3. Nesse esquema, Bernardo Silva ganha ainda mais importância por sua versatilidade.

— Ele (Bernardo) atua em três funções diferentes. Ele pode jogar como segundo homem de meio-campo, posição que já exerceu sob o comando de Martínez e também de Pep Guardiola no Manchester City. Também atua como meia central, mais próximo dos atacantes, em papel semelhante ao de Bruno Fernandes, embora essa seja a função que mais exige dele, por atuar em espaços curtos e de costas para o gol. Por último, pode ser utilizado como falso ponta pela direita, saindo para o meio — analisa Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo.

Diante dessa concorrência de alto nível, Coutinho considera o meio-campo de Portugal o melhor da Copa do Mundo — com o da Espanha (Rodri, Fabián Ruiz e Pedri) ligeiramente abaixo — e acredita que o entrosamento da dupla do PSG, Vitinha e João Neves, pode prevalecer nessa disputa. Já mais avançado, Bruno Fernandes chega ao Mundial em um dos melhores momentos da carreira, tanto que se tornou o recordista de assistências na história da Premier League (21).

Quem se beneficia dessa fartura no meio-campo é Cristiano Ronaldo, encarregado de dar o último toque na bola. Aos 41 anos, ele soma oito gols em Copas do Mundo e é o único jogador a marcar em cinco edições do torneio (2006, 2010, 2014, 2018 e 2022). Apesar da idade avançada, o craque garante que chega em boas condições físicas para sua provável despedida dos Mundiais. “Não viu os últimos jogos?”, brincou ao responder a um jornalista português.

Cristiano Ronaldo representa a seleção portuguesa pela sexta vez na Copa do Mundo — Foto: FILIPE AMORIM / AFP

Outra seleção que se destaca pela força de seu meio-campo é justamente a Argentina de Lionel Messi, que, assim como CR7, deve se despedir da Copa em sua sexta participação. Apesar de as duas equipes terem no setor central uma de suas principais virtudes, o papel de seus craques é diferente na construção e na definição das jogadas.

Caso terminem em primeiro lugar em seus grupos, Portugal e Argentina podem se enfrentar nas quartas de final, em um encontro marcante que poderia marcar o adeus de dois gênios do futebol.

— A Argentina depende de Messi para concluir as jogadas, mas controla o jogo com o meio-campo formado por Enzo Fernández, De Paul e Mac Allister, além de Almada. Já Cristiano Ronaldo participa menos da construção, ficando mais na finalização, enquanto, pelos lados, há jogadores de desequilíbrio no um contra um, com perfis diferentes. Leão é mais forte na condução de bola, e Conceição e Trincão se destacam mais no drible curto e em espaços reduzidos — destaca Coutinho.

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