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Quase 9 em cada 10 moradores de Rio Branco mudaram hábitos por medo da violência

O medo da violência já alterou a rotina da ampla maioria dos moradores de Rio Branco. Pesquisa de vitimização realizada pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac) divulgada na terça-feira, 16, mostra que 87,9% dos rio-branquenses adotaram pelo menos uma medida de precaução para reduzir riscos à própria segurança ou à de familiares.

Os dados revelam que a sensação de insegurança vai além das estatísticas criminais e impacta diretamente o cotidiano da população. Segundo o levantamento, quase nove em cada dez moradores afirmam ter modificado comportamentos, restringido deslocamentos ou adotado estratégias de autoproteção diante do receio de se tornarem vítimas da violência.

A principal mudança observada foi a alteração da rotina diária. Ao todo, 54,5% dos entrevistados disseram ter mudado hábitos pessoais para evitar situações de risco. Neste grupo estão pessoas que evitam sair de casa à noite, deixam de retornar tarde para casa, evitam participar de eventos, deixam de utilizar ônibus ou modificam trajetos por questões de segurança.

Entre as medidas mais comuns, 39% dos moradores afirmaram evitar sair de casa à noite ou chegar tarde em casa. Outros 21,9% passaram a evitar portar dinheiro ou objetos de valor durante seus deslocamentos, numa tentativa de reduzir as chances de serem alvo de furtos ou roubos.

A preocupação também chegou ao ambiente doméstico. Cerca de 11,2% dos entrevistados afirmaram ter reforçado a segurança de suas residências com trancas, muros, alarmes, câmeras de monitoramento ou até mesmo a contratação de vigilância privada.

O estudo identificou ainda efeitos mais profundos na relação dos moradores com a cidade. Aproximadamente 3,8% dos entrevistados afirmaram cogitar deixar Rio Branco por causa da violência. Outros 2% alteraram hábitos de consumo, priorizando compras em shoppings ou pela internet para evitar exposição em espaços públicos.

De acordo com as projeções da pesquisa, cerca de 240,8 mil moradores de Rio Branco com mais de 16 anos adotam atualmente alguma estratégia de autoproteção no dia a dia. Além das mudanças de hábitos, a pesquisa aponta reflexos na saúde emocional dos moradores. Quase metade da população, 48,5%, relatou ter vivido episódios de ansiedade relacionados à segurança nos últimos 12 meses.

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