O custo dos itens essenciais para a sobrevivência continua pressionando o orçamento dos moradores de Cruzeiro do Sul. Levantamento divulgado nesta quarta-feira (17) pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) mostra que um trabalhador que recebe um salário mínimo precisou comprometer 44% da renda para adquirir as cestas básicas de alimentação, limpeza doméstica e higiene pessoal no mês de maio.
Segundo a pesquisa, o custo total das três cestas chegou a R$ 713,68 para um único consumidor. Desse valor, a cesta alimentar respondeu pela maior parcela, custando R$ 595,29, enquanto a cesta de limpeza doméstica somou R$ 91,82 e a de higiene pessoal R$ 26,58.
Quando considerado o salário mínimo líquido, após o desconto previdenciário de 7,5%, o comprometimento da renda é ainda maior. Nesse cenário, o trabalhador precisou destinar aproximadamente 47,6% dos rendimentos para a compra dos itens básicos de consumo.
O levantamento também revela que o peso da cesta básica tem aumentado nos últimos meses. Em fevereiro, o custo total das três cestas era de R$ 682,16. Em maio, o valor alcançou R$ 713,68, representando alta acumulada de 4,62% em quatro meses.
A principal responsável pelo avanço foi a cesta alimentar, que registrou aumento de 3,76% em relação a abril. Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão o leite, com alta de 13,66%, o tomate, que subiu 11,42%, e a mandioca, com aumento de 9,14%.
Além do impacto financeiro, a pesquisa mostra o aumento do esforço necessário para garantir os produtos básicos. Em maio, um trabalhador precisou dedicar aproximadamente 96 horas e 51 minutos de trabalho para adquirir as três cestas. O tempo é 2 horas e 48 minutos superior ao registrado no mês anterior.
Para uma família padrão, composta por dois adultos e três crianças, o cenário é ainda mais desafiador. O gasto estimado para a compra das três cestas básicas alcançou R$ 2.497,89 em maio, valor equivalente a 1,54 salário mínimo e R$ 72,24 superior ao observado em abril.
De acordo com a Seplan, o aumento dos custos foi influenciado principalmente pela elevação dos preços dos alimentos, mantendo a pressão sobre o orçamento das famílias e reduzindo a parcela da renda disponível para outras despesas.

