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Terremotos na Venezuela: número de mortos sobe para 589, enquanto ajuda internacional chega ao país

Por Redação Juruá em Tempo.26 de junho de 20264 Minutos de Leitura
Menores feridos foram resgatados em La Guaira, que sofreu ontem impacto de dois terremotos qeu atingiram a Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira que o número de mortos nos terremotos que atingiram o país na noite de quarta-feira subiu para 589 — em um novo balanço que mais do que dobra a quantidade de vítimas anunciada por Caracas no dia anterior, que era de 265. A confirmação por parte da líder chavista acontece em um momento em que equipes de ajuda internacional começam a chegar de todas as partes do mundo, enquanto socorristas e voluntários da própria Venezuela correm contra o relógio para encontrar sobreviventes.

— Lamentavelmente, já temos 589 pessoas falecidas — disse Delcy durante uma reunião com comandantes militares e representantes civis venezuelanos, exibida pela televisão estatal do país nesta sexta. — Não dormimos um minuto sequer em nossos esforços para salvar vidas.

Militares e equipes técnicas de Brasil, Estados Unidos, incluindo El Salvador, México e Suíça — em um total de 17 países — chegaram a Caracas nas últimas horas, somando-se a uma corrida contra o relógio liderada por bombeiros e civis para localizar sobreviventes sob as toneladas de concreto que ruíram na noite de quarta. Especialistas em resgate com vítimas soterradas definem o período de 48 a 72 horas após o incidente como uma janela com maior probabilidade de encontrar pessoas com vida. O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA divulgaram uma imagem do general Kevin J. Jarrard no país, anunciando que ele será o responsável por coordenar as ações das Forças Armadas americanas em apoio às operações humanitárias.

Retroescavadeiras e equipes com cães-farejadores foram flagradas trabalhando durante a madrugada em Caracas, onde os impactos foram extensos. Em La Guaira, a norte da capital, foram mais de 100 edifícios que caíram em decorrência dos tremores, segundo fontes venezuelanas. A presidente interina comunicou que o estado seria “militarizado” para facilitar as operações de emergência.

— Nossas Forças Armadas Bolivarianas estão no estado para lidar com essa situação que afeta nosso povo — disse Delcy, destacando que vias de acesso ao estado foram liberadas para permitir a fácil chegada das equipes.

Equipes de resgate tentam localizar sobreviventes de terremotos na Venezuela em Caracas — Foto: Maryorin Mendez/AFP
Equipes de resgate tentam localizar sobreviventes de terremotos na Venezuela em Caracas — Foto: Maryorin Mendez/AFP

Ofertas de apoio chegaram de diversas partes do mundo, com Suíça, Espanha, França, Portugal e México entre os países que enviaram especialistas e equipes de resgate. China, Índia, Brasil e o Irã, devastado pela guerra, também ofereceram ajuda, enquanto o papa Leão XIV enviou uma primeira contribuição de 100 mil euros (cerca de R$ 591,3 mil). O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar “profundamente entristecido” com a tragédia, enquanto a organização prometeu prestar assistência à Venezuela.

Plataformas on-line criadas para localizar desaparecidos receberam milhares de registros, embora não haja confirmação se todos os listados estão soterrados ou apenas perderam comunicação com suas famílias em razão do caos social. O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, informou na quinta-feira que mais de 200 pessoas estariam sob os destroços — quando o balanço de mortos ainda era de 265. O número foi questionado por observadores à medida que vítimas são identificadas.

Equipe de resgate com cães-farejadores holandesa embarca rumo à Venezuela para auxiliar em resgates — Foto: Rob Engelaar/ANP/AFP
Equipe de resgate com cães-farejadores holandesa embarca rumo à Venezuela para auxiliar em resgates — Foto: Rob Engelaar/ANP/AFP

Autoridades diplomáticas em Portugal e Espanha confirmaram nesta sexta-feira que nove cidadãos portugueses e três espanhóis morreram nos terremotos, além de 155 cidadãos cujo paradeiro é desconhecido — 99 espanhóis e 56 lusitanos. Cidadãos venezuelanos relatam uma busca incessante por parentes.

— Ele está aqui — disse entre entre lágrimas Alessandro del Giudice, um jovem de 23 anos que tentava encontrar o pai sob uma montanha de escombros em La Guaira, ouvido pela AFP, enquanto sua avó, Amparo, tentava retirar as ruínas com as próprias mãos.

Em seus anúncios nesta sexta, Delcy afirmou que La Guaira foi militarizada

Em uma entrevista à TV pública do país, o vice-presidente setorial de Obras Públicas e Serviços da Venezuela, Juan José Ramírez, explicou que as operações estão sendo realizadas com diversos tipos de maquinário e fez um pedido à população para que permita que as equipes especializadas de proteção civil realizem o trabalho técnico.

— Muitas vezes, voluntários que tentam ajudar podem, na verdade, piorar a situação — disse Ramírez, apontando que a prioridade é “salvar vidas”. (Com AFP)

Por: O Globo.
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