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Trump assina decreto que dá ao governo dos EUA acesso antecipado a modelos de IA

O presidente Donald Trump assinou um decreto que solicita às empresas de tecnologia que, voluntariamente, permitam ao governo americano supervisionar novos modelos de inteligência artificial antes de disponibilizá-los ao público, uma mudança de postura para um governo que vinha defendendo uma abordagem de não intervenção em relação a essa poderosa tecnologia.

A ordem executiva foi precedida por meses de debates dentro do governo Trump sobre como lidar com a IA e seus impactos na cibersegurança e na segurança nacional. No mês passado, Trump cancelou uma ordem executiva sobre IA — que teria criado um período de até 90 dias para que o governo analisasse novos modelos de IA antes de seu lançamento — apenas algumas horas antes de assiná-la.

A assinatura do documento na terça-feira ocorreu após uma reunião realizada na Casa Branca na segunda-feira, convocada por Trump com o secretário do Tesouro, Scott Bessent; o secretário de Defesa, Pete Hegseth; e David Sacks, entre outros. Sacks, que havia se oposto à medida, aprovou uma versão revisada depois que o prazo de análise foi reduzido de 90 para 30 dias. Isso ajudou a convencer Donald Trump a prosseguir com a assinatura.

O decreto representa o passo mais significativo do governo Trump em direção à regulamentação da inteligência artificial. Ele marca uma reversão da postura amplamente permissiva adotada pelo presidente quando retornou ao cargo no ano passado. Essa abordagem havia sido concebida para ajudar as empresas americanas de tecnologia a superar a China e fortalecer a economia.

“As capacidades avançadas de IA tornam nossa nação mais forte, mas também introduzem novas questões de segurança nacional que exigem ação coordenada entre departamentos e agências do Poder Executivo”, afirma o texto assinado por Trump.

Liz Huston, porta-voz da Casa Branca, declarou que odecreto reflete a “abordagem de bom senso” de Donald Trump de colaborar com a indústria para equilibrar inovação e segurança, consolidando a contínua liderança global dos Estados Unidos em IA e cibersegurança.

Executivos do setor de tecnologia correram para avaliar como o decreto afetaria uma indústria de IA que tem desfrutado de um crescimento econômico amplamente sem restrições. Algumas empresas afirmaram que a medida lhes permitiria destacar sua cooperação com o governo e reduzir as preocupações públicas em relação à IA. Outras demonstraram receio de que a ordem possa desacelerar o desenvolvimento tecnológico e abrir caminho para regulamentações mais rígidas no futuro.

Brad Smith, presidente da Microsoft; Chris Lehane, da OpenAI; Kent Walker, do Google; e outros executivos elogiaram separadamente a medida, classificando-a como “um passo importante” para equilibrar a segurança e a inovação em IA. A Anthropic também manifestou apoio em suas redes sociais.

Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, está programado para visitar a Casa Branca nesta quarta-feira para uma reunião que já havia sido planejada antes de Trump assinar o decreto, segundo uma pessoa com conhecimento do encontro. A Meta não forneceu comentários até a publicação da reportagem.

Muitos executivos de tecnologia foram pegos de surpresa pela decisão de Trump de assinar o decreto sem grande divulgação ou cerimônia pública. Executivos da OpenAI, Anthropic, Microsoft, Meta e Google haviam sido convidados nos últimos meses para discutir a política com o governo Trump, e alguns já estavam a caminho da Casa Branca no mês passado para a assinatura do documento anterior antes que ela fosse cancelada.

Na época, executivos do setor de tecnologia, incluindo Marc Andreessen, conversaram com Trump sobre suas preocupações. Embora apoiassem a intenção do governo americano, eles temiam que um prazo de até 90 dias para a análise dos modelos de IA atrasasse o desenvolvimento da tecnologia. Eles enfatizaram que manter as empresas americanas competitivas em relação à China era crucial.

David Sacks acabou convencendo o presidente a adiar a assinatura do decreto no mês passado. Desde então, Susie Wiles, defensora da ordem executiva, trabalhou para recolocar a medida nos trilhos.

Vulnerabilidade dos modelos de IA

A decisão da Casa Branca de iniciar um processo formal de supervisão dos modelos de IA começou em abril, quando a Anthropic anunciou um novo modelo de IA chamado Mythos. Segundo a empresa, o modelo poderia identificar vulnerabilidades de software e provocar um “acerto de contas” na área de cibersegurança.

Autoridades governamentais, bancos e outras organizações temiam que futuros modelos de IA pudessem descobrir vulnerabilidades que seriam exploradas por adversários dos Estados Unidos.

O lançamento do Mythos ocorreu em um momento em que a opinião pública sobre a IA estava se deteriorando, com crescentes temores sobre como a tecnologia afetaria empregos, preços da energia, educação e saúde mental. Em uma pesquisa realizada em março pela Quinnipiac University com adultos americanos, 55% afirmaram ver a IA mais como uma força para o mal do que para o bem.

Donald Trump tem enfrentado pressão para ampliar a regulamentação governamental da IA. Em maio, aliados do movimento MAGA (Make America Great Again), incluindo Stephen K. Bannon, Amy Kremer e cerca de três dezenas de pastores, assinaram uma carta instando o presidente a adotar um processo obrigatório de avaliação dos modelos de IA.

Eles alertaram que esses sistemas poderiam prejudicar a cibersegurança e que não se poderia confiar que as empresas de tecnologia “se autorregulassem”.

Membros do grupo organizaram uma manifestação para quarta-feira em Washington com o objetivo de pressionar o governo Trump e o Congresso a iniciarem testes de segurança dos modelos. Brendan Steinhauser, diretor-executivo da Alliance for Secure AI Action, afirmou que o ato ocorreria mesmo após a assinatura da ordem porque “preferiríamos que isso fosse obrigatório em vez de voluntário”.

“Isso é importante para o presidente, então acreditamos que todas as empresas irão cumprir, e isso terá, na prática, o efeito de uma exigência obrigatória”, disse ele, acrescentando que “os ventos políticos mudaram a nosso favor nessa questão, principalmente porque as capacidades da IA estão aumentando e há preocupações com sistemas avançados de IA sem salvaguardas.”

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