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A irritação de Michelle Bolsonaro com um pedido de Valdemar

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: O Globo. 03/07/2026 às 08:48

Foi tensa a conversa entre Michelle Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que sacramentou a saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher em meio à crise com Flávio Bolsonaro. Um pedido específico do dirigente, porém, tirou Michelle do sério a ponto de ela ameaçar se desfiliar do partido.

Segundo duas fontes ouvidas pela equipe da coluna próximas tanto de Flávio quanto da ex-primeira-dama, Valdemar sugeriu que ela assinasse uma carta se dizendo abalada pelos problemas familiares provocados pela prisão de Jair Bolsonaro e pedisse desculpas pelo vídeo no qual dirigiu duras críticas a Flávio e a setores do bolsonarismo e abriu um racha na direita.

Michelle, que há dias vinha manifestando a aliados irritação com os ataques nas redes sociais por aliados do pré-candidato do PL e do também enteado Eduardo Bolsonaro, reagiu mal à proposta e demonstrou indignação com a ideia.

Ao sair da reunião, na terça-feira (30), ela anunciou a saida do PL Mulher, mas não cita Flávio e nem pede desculpas no comunicado divulgado nas redes. Sem ignorar a crise, se referiu ao “momento em que estamos vivendo em nossa família” para justificar a decisão de deixar a presidência do PL Mulher, medida que segundo ela foi tomada junto a Jair Bolsonaro para que se dedicasse “integralmente” aos cuidados dele e da filha mais nova, Laura.

Na nota, a ex-primeira-dama listou feitos de sua gestão e agradeceu nominalmente Valdemar pela autonomia e pela sua nomeação ao cargo, em março de 2023, três meses após o marido deixar a presidência.

Também fez um aceno à vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), pivô da crise com Flávio pelo apoio dele e dos outros enteados à campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. Priscila era pré-candidata ao Senado Federal, mas teve que se contentar com a candidatura a deputada federal.

Já Valdemar destacou em sua nota oficial que Michelle passa por “um momento difícil”, admitiu “divergências” e “indignações” dentro do PL, mas defendeu que a decisão dela de deixar o cargo seja respeitada.

Como mostrou O GLOBO, a ex-primeira-dama foi convencida a não se desfiliar do PL no calor da crise pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), aliadas e amigas próximas de Michelle, em uma reunião no Palácio do Buriti.

Na reunião com Valdemar, a mulher de Jair Bolsonaro também sinalizou que desistiria de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal em outubro, como o próprio presidente do PL confirmou na última quinta em entrevista à Rádio Gaúcha.

No entorno de Michelle, porém, a avaliação é que essa hipótese está descartada, mas ainda assim ela não irá se empenhar na campanha do enteado ao Palácio do Planalto. Caso dispute a eleição, concorrerá na chapa de Celina, que tentará a reeleição.

Boa relação com Valdemar

Valdemar Costa Neto estava em Miami, nos Estados Unidos, para assistir a disputa entre Brasil e Escócia na Copa do Mundo 2026 quando Michelle divulgou o vídeo de 27 minutos no Instagram acusando Flávio de “apunhalá-la” e “maltratá-la” poucas horas antes da partida.

O presidente do PL antecipou a volta ao Brasil e chegou a classificar a briga como “muito séria” e a admitir que, sem Michelle, a eleição de Flávio seria “muito difícil”.

A conversa dura com Michelle contrasta com a boa relação que ambos mantiveram publicamente nos últimos anos.

Valdemar, inclusive, era um entusiasta público de uma candidatura presidencial da ex-primeira-dama antes de Jair Bolsonaro escolher o filho 01 como seu representante nas urnas.

Menos de um mês após a posse de Lula, quando já se aventava a possibilidade de uma condenação de Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de implicações criminais pelos ataques golpistas do 8 de janeiro, o chefe do PL declarou à CNN Brasil que a mulher do ex-presidente poderia ser candidata.

O dirigente voltou a defender a candidatura presidencial em várias outras ocasiões, mesmo quando Bolsonaro sinalizava preferir que Michelle disputasse o Senado pelo DF. Mais recentemente, classificou a aliada como um “fenômeno” político e lamentou que o marido não tenha apoiado uma candidatura dela ao Executivo.

Foi também Valdemar quem indicou ex-primeira-dama para a presidência do PL Mulher, em 2023 e garantiu a ela uma remuneração mensal de R$ 46 mil – a mesma do ex-presidente.

Pelo jeito, o histórico afável com Valdemar não foi suficiente para contornar o climão diante do apelo do presidente do PL por um “mea culpa” de Michelle na reunião da última terça.

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