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Acre entra em alerta para crise hídrica durante o El Niño

Por Redação Jurua em Tempo19 de julho de 20265 Minutos de Leitura
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O fenômeno climático El Niño vem intensificando seus efeitos em diversas partes do mundo e já acende o alerta no Acre para um cenário de estiagem prolongada, aumento das temperaturas e agravamento da crise hídrica.

O Acre está entre as áreas mais sensíveis aos impactos do fenômeno, devido ao elevado risco de incêndios florestais, vulnerabilidade ambiental, seca prolongada e calor excessivo.

A caracterização de um El Niño ocorre quando as anomalias da temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial ultrapassam 2,0°C.

A equipe de reportagem do ContilNetentrevistou o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, que explicou os impactos esperados para os próximos meses e as medidas que estão sendo adotadas para minimizar os efeitos da estiagem.

Segundo Falcão, os primeiros sinais do agravamento da situação já são percebidos, principalmente em relação aos recursos hídricos.

“Ela está se agravando em relação à parte hídrica em relação à parte dos recursos naturais. Nós já temos aqui uma pesquisa que a temperatura do Oceano Pacífico, que gera o fenômeno El Ninho, ela já está maior do que qualquer outra registrada em todos os tempos. Então, nós já temos uma temperatura bastante elevada nas águas do Oceano do Pacífico, caracterizando o fenômeno El Ninho, que traz muita chuva lá para a região sul do país, enquanto que na região norte, e também onde nós estamos, diminui significativamente a quantidade de chuva”, disse.

Tenente-coronel Cláudio Falcão alerta sobre efeitos do El ninõ. — Foto: Anne Nascimento/ContilNet

O coordenador explicou que o fenômeno ainda está em sua fase inicial, mas a previsão é de intensificação ao longo das próximas semanas.

De acordo com ele, equipes da Defesa Civil de Rio Branco já realizaram vistorias em áreas rurais e identificaram que açudes, represas e outros reservatórios operam entre 30% e 40% de sua capacidade.

Ainda segundo Falcão, o município já está preparado para enfrentar os impactos da estiagem por meio de um trabalho integrado entre diversos órgãos.

“Nós estamos no início desse fenômeno, a tendência e a previsão é que ele tende a se agravar agora na segunda quinzena de julho e se agravando ainda mais nos meses subsequentes, ou seja, de agosto e setembro. Nós já fizemos aqui uma busca, fizemos diversas vistorias nas áreas rurais, principalmente para verificar a questão hídrica”, informou.

O coordenador reforçou que o cenário tende a se agravar nos próximos meses, exigindo ações preventivas por parte do poder público.

Coordenador explicou que o fenômeno ainda está em sua fase inicial/Foto: Reprodução

Em meio ao cenário de estiagem, Cláudio Falcão afirmou que existe a possibilidade de o Rio Acre voltar a registrar níveis próximos da mínima histórica de 1,23 metro, alcançada em setembro de 2024. No entanto, ele destaca que ainda é cedo para afirmar que o rio repetirá esse recorde.

O coordenador ressaltou que não é necessário atingir a mínima histórica para que a situação se torne crítica.

“Podemos chegar novamente à marca histórica? Podemos. Mas o que vale ressaltar é que nem precisa chegar na marca histórica para ficar muito ruim. Ano passado, nós ficamos com 1,37m. Já foi bem complicado. Então, não é uma certeza, mas a gente pode igualar a marca de 2024, como também pode não igualar. mas mesmo assim, quando ele baixa de um metro e meio já é crítico”, disse.

Questionado sobre o abastecimento de água em Rio Branco, Falcão afirmou que a Defesa Civil e o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) já trabalham com um plano de contingência para garantir o fornecimento à população.

Segundo ele, o plano prevê intervenções no leito do Rio Acre quando o nível se aproxima de dois metros.

“Na zona rural, nós levamos caminhões pipas para poder abastecer algumas vilas e comunidades. E aqui na zona urbana, nós temos o plano de contingência que já precisa, a partir de 2 metros, 1,90 metros aproximadamente, já tem que aplicar o plano de contingência, que é aprofundar o leito do rio. E também fazer contenção através de bancos de areia, sacos de areia, de maneira que as bombas dos flutuantes possam alcançar um nível suficiente para poder puxar água. Então, a gente não vai sofrer mais por conta do plano de contingência”, afirmou.

Gabinete reúne órgãos estaduais do Acre/Foto: Juan Diaz/ContilNet

El Niño no Acre

O primeiro Boletim do Painel El Niño de 2026 aponta a intensificação do fenômeno climático e projeta um cenário preocupante para diversas regiões do mundo, incluindo o Acre.

O estado está inserido entre as áreas de maior sensibilidade aos efeitos do El Niño durante o trimestre de julho a setembro. Segundo o boletim, esse período será marcado por chuvas abaixo da média no Centro-Oeste brasileiro, com reflexos diretos sobre a Região Norte.

Por estar nessa faixa de maior vulnerabilidade, o Acre poderá enfrentar aumento dos incêndios florestais, maior quantidade de focos de calor, piora da qualidade do ar, seca prolongada e temperaturas acima da média.

Além disso, o cenário pode comprometer as pastagens, reduzir a produtividade da agricultura familiar, afetar a piscicultura e provocar a redução do nível dos rios, agravando a crise hídrica.

O boletim também destaca que a combinação entre temperaturas elevadas e baixos volumes de chuva aumenta significativamente o potencial para queimadas nos próximos meses.

Ação imediata do governo

Diante da possibilidade de uma estiagem severa, a Defesa Civil do Estado publicou, na última quinta-feira (16), a composição do Gabinete de Crise Hídrica do Estado do Acre.

Entre as atribuições do grupo estão o monitoramento permanente da situação hídrica, a articulação entre os órgãos públicos, a coordenação das medidas emergenciais e a elaboração de ações para reduzir os impactos da seca sobre a população.

Rio Acre volta a subir e atinge após fortes chuvas na bacia hidrográfica

Defesa Cívil realiza monitoramento sobre seca do Rio Acre — Foto: Juan Diaz, ContilNet

A estrutura é composta por representantes de 14 órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC).

Por: ContilNet
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