O PSD confirmou ontem sua chapa à Presidência com Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, e Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e presidente do partido. A dupla tem o desafio de crescer nas pesquisas buscando a fatia do eleitorado que rejeita tanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em evento em São Paulo, o ex-governador de Goiás se apresentou como um candidato que não entra em “brigas inúteis”, criticou os escândalos do PT e do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Para governar, o candidato precisa de independência moral e coragem pessoal. Coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções. De não ser um candidato “Kinder Ovo” com uma surpresa todo dia. Mas sim, um candidato que nunca se envolveu em rachadinha, mensalão, petrolão, escândalo do Master.
Caiado sustentou, em seu discurso à militância, que os brasileiros não podem “optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, em nova referência aos adversários de PT e PL que aparecem na liderança das pesquisas. E procurou associar esse cenário a uma competição de “vaidade”, em que declarações agressivas partem dos dois lados para concentrar as atenções da campanha.
Datafolha divulgada na sexta-feira, mostra cenário de primeiro turno com Lula à frente, com 40%, seguido por Flávio (32%). Caiado aparece na sequência, com 4%, mas empatado dentro da margem de erro com outros candidatos.
Política externa
Caiado criticou as posições de Lula em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aplicou um tarifaço sobre as exportações brasileiras e pretendia enviar emissários como “observadores” nas eleições, e a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL que selou a candidatura de Flávio Bolsonaro, sábado.
— O atual presidente quer de toda maneira provocar o presidente dos Estados Unidos. Do outro lado, vemos as mesmas agressões, inclusive com insulto a autoridades, no sentido de desviar dos assuntos dos quais deveria prestar esclarecimentos — afirmou.
Caiado prometeu maior rigor na legislação penal contra agressores de mulheres, estupradores e pedófilos, em um aceno ao eleitorado que cobra uma abordagem linha dura na segurança pública.
Os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Júnior, ambos do PSD, chegaram no meio da coletiva e prestaram suporte. A dupla concorreu contra Caiado para ser o candidato a presidente pela sigla. Ratinho acabou desistindo, enquanto Leite demonstrou contrariedade com a escolha do partido pelo goiano, antes de declarar afinal seu apoio.
Vetado como candidato a presidente no DC, o ex-deputado federal Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma, foi a surpresa do evento e fez um discurso em defesa de Caiado, tanto na coletiva de imprensa quanto no palco. Daniel Vilela, que tenta ser o sucessor do presidenciável em Goiás, foi o terceiro governador presente, com ausências marcantes de Raquel Lyra, de Pernambuco, e Mateus Simões, de Minas Gerais, além do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes.
Em seu discurso, Caiado descreveu ainda como pensa um “representante da centro-direita”.
— É o significado de princípios. Então, quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita, é ladrão. Você tem que ter alguém que cumpra todas as exigências necessárias para ter essa autoridade e, num segundo turno, debater e mostrar a diferença.
Após a convenção e a entrevista coletiva, os integrantes da chapa e demais aliados se dirigiram a um ato público próximo à Praça da Bandeira, no centro de São Paulo, com a realização de discursos. Desde as primeiras horas da manhã, militantes portando adesivos e bandeiras de candidatos se posicionaram em frente ao palco. Alguns desses materiais traziam a foto de Caiado e de Kassab junto à do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoia Flávio à presidência.
Caiado, contudo, também teve a sua cota de ataques no palco. Ele chamou Lula de “agiota”, por conta do nível da taxa de juros ao longo do mandato, e Flávio de “frango de granja”, como alguém que não toma decisões sozinho.
— Um país endividado, sem saber o que fazer, que foi induzido a tomar dinheiro emprestado, e o agiota maior, o Lula, cobra uma taxa de 14% do cidadão brasileiro. Aí faz o Desenrola, cortesia com o chapéu alheio, dando aquilo que é o seguro do trabalhador para pagar agiotagem no Brasil — disse ao primeiro. — Aqueles candidatos que, na vida, não têm como explicar. Qualquer coisa chamam o papai, ‘vou ler uma carta dele’. Que nem frango de granja, que vai lá, come a ração, toma o antibiótico. Não, o Caiado é galo de terreiro. Sou acostumado na briga — disparou ao segundo.
Tarcísio não comparece
Kassab havia acertado a participação de Tarcísio na primeira parte do evento, em que o PSD estadual anunciaria apoio a ele na corrida pela reeleição ao governo paulista. Aliado de Flávio, o republicano faltou à cerimônia. Internamente, a ausência foi atribuída a um convite divulgado pelo dirigente da sigla nas redes sociais que associou o governador de São Paulo a Caiado.
O PSD também convidou outros dois integrantes da chapa estadual: André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), que concorrem ao Senado. Felício Ramuth (MDB), que saiu do PSD para ser indicado novamente a vice-governador, não foi chamado.

