No meio da semana, contra a Chapecoense, superioridade absoluta e goleada fora de casa. Ontem, o Flamengo viu um roteiro inverso se apresentar no Maracanã em um empate frustrante com o São Paulo, deixando pelo caminho dois pontos que podem ser preciosos no futuro. O gol anulado de Samuel Lino na reta final por conta de um impedimento de “chuteira” de Wallace Yan não esconde que o placar de a 1 a 1 — gols de Léo Pereira e Calleri — foi definido pela falta de inspiração do rubro-negro.
O resultado acabou não sendo tão ruim, já que o Palmeiras perdeu para o Atlético-MG em casa por 2 a 1. Ou seja, uma vitória deixaria os dois a quatro pontos de distância — o rubro-negro chegou a 38, enquanto o alviverde parou nos 44.
O nível do futebol apresentado pela equipe de Leonardo Jardim foi muito discrepante em quatro dias de intervalo, e esse é o maior ponto de preocupação que fica. A defesa deixou brechas na entrada da área, o meio-campo jogou aquém do esperado, algo simbolizado pela atuação ruim de Jorginho, e o ataque sofreu demais para impor velocidade e causar dano em um adversário que passa longe viver uma boa fase.
O São Paulo, que passa por uma crise dentro e fora de campo, pareceu até jogar em casa por alguns instantes, com uma torcida que igualou no gogó a grande maioria rubro-negra nas arquibancadas — foram quase 71 mil presentes. Em dado momento do primeiro tempo, o tricolor foi senhor do jogo e quase abriu o placar.
Jardim iniciou a partida com Samuel Lino novamente mais recuado para ensaiar o posto de camisa 10 e Lorran na frente. O esquema não surtiu efeito, mas longe de ter sido culpa do jovem. Pelo contrário, ele ajudou a criar boas tramas e iniciou a jogada do gol, cobrando escanteio desviado por Jorginho e completado por Léo Pereira na pequena área.
Léo Pereira marcou para o Flamengo diante do São Paulo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Léo Pereira marcou para o Flamengo diante do São Paulo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
A vantagem no placar dava impressão de que o Flamengo deslancharia, principalmente pela entrada imediata de Arrascaeta no lugar de Lorran. No dia que o presidente Bap anunciou que o uruguaio será homenageado com um busto na sede da Gávea, ele fez pelo menos duas boas jogadas de efeito, mas isso não significou que o time melhorou a produção.
Com exceção do gol, as grande chances da equipe vinham sendo um chute de Erick Pulgar no travessão no primeiro tempo e uma cabeçada de Bruno Henrique, além de uma tentativa de bicicleta de Pedro.
Se o Flamengo foi incapaz de ampliar, o São Paulo já havia dado o recado que saberia onde explorar as fraquezas da sua defesa. A principal delas foi Vitão, escolhido para ser titular ao lado de Léo Pereira — Léo Ortiz ficou fora por opção técnica de Jardim, assim como De la Cruz —, mas claramente inseguro desde a primeira etapa. Aos 24 minutos, Osório encontrou cruzamento preciso nas costas do zagueiro, e Calleri empatou de cabeça. O centroavante não marcava há quase quatro meses, desde 4 de abril.
Sob pressão, a equipe se lançou à frente e poderia ter até arrancado a vitória. Aos 45 minutos, Wallace Yan recebeu passe de Emerson Royal e jogou a bola para a área. Samuel Lino ficou com a sobra e bateu de primeira para estufar as redes. Porém, entrou em cena o impedimento semiautomático: o camisa 64 estava com uma chuteira à frente do marcador.
O anticlímax não diminuiu o ímpeto do Flamengo nos longos 13 minutos de acréscimos, mas nenhuma das chances isoladas fez o placar se alterar.
— Com certeza, (o empate) atrapalha muito nossas ambições na competição, principalmente por se tratar de um jogo em casa. No meu ponto de vista, jogamos até melhor. São dois pontos que a gente deixa passar e que nos aproximariam do líder — admitiu Léo Pereira, que deixou em segundo plano a felicidade pelo gol. — Feliz pelo gol, por voltar a atuar no Maracanã, eram quase dois meses, então feliz por isso, pela entrega da equipe.
Na próxima quarta-feira, às 19h30, o Flamengo irá ao Beira-Rio enfrentar o Internacional.

