O Acre deve enfrentar um segundo semestre marcado por temperaturas acima da média, redução das chuvas, aumento do risco de queimadas e possibilidade de agravamento da estiagem. O cenário faz parte das projeções do Painel El Niño 2026-2027, divulgado no último dia 30 de junho por órgãos federais, que confirmou a evolução do fenômeno climático e seus impactos esperados em diferentes regiões do país.
De acordo com o boletim, o El Niño já apresenta sinais consistentes de fortalecimento, com aquecimento progressivo das águas do Oceano Pacífico Equatorial e alterações na circulação da atmosfera. As projeções dos principais centros internacionais de previsão indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.
Os modelos climáticos também apontam elevada probabilidade de que o El Niño atinja intensidade forte ou muito forte entre a primavera e o verão do Hemisfério Sul, quando a temperatura da superfície do mar poderá superar 2°C acima da média histórica, condição que costuma intensificar seus efeitos sobre o clima.
Acre deve ter menos chuva e mais calor
Para a Região Norte, onde está o Acre, a previsão é de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal durante o trimestre de julho, agosto e setembro.
Segundo o painel, a combinação entre calor intenso e redução das precipitações favorece o aumento da evaporação, reduz a umidade do solo e amplia o risco de deficiência hídrica. Esse cenário pode afetar pastagens, culturas agrícolas, especialmente as perenes, e a agricultura familiar.
Além disso, o documento destaca que o fortalecimento do El Niño poderá intensificar a estiagem em parte da Amazônia no segundo semestre, dificultando a recuperação dos níveis dos rios.
Risco maior de queimadas
O boletim também coloca o Acre entre os estados com potencial de registrar aumento dos focos de calor nos próximos meses.
A expectativa é que o período entre julho e setembro concentre maior pressão para incêndios florestais no Centro-Oeste e no chamado arco sul da Amazônia, incluindo Acre, Rondônia, Mato Grosso, sul do Amazonas e sul do Pará.
Os especialistas ressaltam, porém, que as previsões sazonais indicam tendências climáticas e não significam, necessariamente, que eventos extremos irão ocorrer. O monitoramento contínuo das condições meteorológicas segue sendo considerado essencial.
Impactos na agricultura e nos rios
Além das queimadas, o El Niño pode provocar reflexos sobre a produção agropecuária acreana.
A redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem comprometer a umidade do solo, reduzir a disponibilidade de água para a pecuária e aumentar o estresse das lavouras.
O painel também alerta para o acompanhamento permanente dos recursos hídricos, diante da possibilidade de agravamento da estiagem em áreas da Amazônia durante o segundo semestre.
Defesa Civil recomenda preparação
Diante da confirmação do fenômeno, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil orienta estados e municípios a revisar planos de contingência, fortalecer sistemas de monitoramento e ampliar a integração entre os órgãos de Defesa Civil, meio ambiente, recursos hídricos, saúde e assistência social.
À população, a recomendação é acompanhar os avisos oficiais e manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas da Defesa Civil.
O Painel El Niño 2026-2027 foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

