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Gilmar Mendes omite conflito de interesses e filho amplia poder na CBF

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: O Globo. 10/07/2026 às 11:43

No último domingo, a seleção perdeu para a Noruega e encerrou sua pior campanha em Copas do Mundo desde 1990. Dois dias depois, Gilmar Mendes foi às redes expressar “gratidão” aos jogadores. “Meu agradecimento a cada atleta pela dedicação e pelo compromisso com que honraram (sic) a camisa do Brasil”, escreveu.

O supremo ministro aproveitou para anunciar o início de um “novo ciclo”. “A permanência de Carlo Ancelotti à frente da equipe dá solidez a esse recomeço, e a seleção que se renova encontrará no torcedor, uma vez mais, a sua maior força”, pontificou. Ao pé do tuíte de estadista, usuários do X acrescentaram uma nota informativa: “Gilmar Mendes não mencionou, mas ele próprio e o filho têm grande influência na CBF”. As 15 palavras expuseram o conflito de interesses que o decano do STF preferiu omitir.

Filho de Gilmar, Francisco Mendes é vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol. Não tem cargo formal na CBF, mas manda mais que o presidente da entidade. Em conversas informais antes da Copa, apresentou-se como o responsável pela convocação de Neymar.

O herdeiro do decano também se diz patrono da CBF Academy, a autoproclamada “instituição educacional do futebol brasileiro”. A escola foi criada pela confederação e pelo IDP. A faculdade, que pertence à família de Gilmar, fica com 84% de suas receitas. Como o mundo da bola é pequeno, o diretor-geral do IDP é Francisco Mendes. Um caso único de jurisconsulto, cartola, empresário e filho de ministro. Não necessariamente nesta ordem.

O polímata de Mato Grosso tem a quem puxar. Além de comentar jogos e incentivar jogadores, Gilmar usa a toga para arbitrar conflitos na CBF. Em 2024, anulou o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da confederação. Depois devolveu o caso à Justiça do Rio, que removeu o dirigente. Apesar das conexões com a cúpula da entidade, o supremo ministro nunca se julgou impedido de atuar em seus processos.

Desde 2012, a CBF teve cinco presidentes afastados ou presos. O capitão do time é Ricardo Teixeira, que conseguiu ser banido pela Fifa por má conduta. O chefe atual, Samir Xaud, balança sob suspeita de uso indevido de verbas. Para a Copa de 2030, o favorito a sucedê-lo é Francisco Mendes. Agora o hexa vem.

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