Na reta final de “Coração acelerado”, Isabelle Drummond se despede da personagem Naiane ao mesmo tempo que se prepara para o show em celebração à novela, que acontecerá em Goiânia no fim de julho.
— Ainda restam ensaios e algumas semanas de trabalho. Quase férias. Férias mesmo só vou tirar em agosto, quando pretendo passar um mês fora do país. Mas preciso voltar no final do mês porque já tenho compromissos de trabalhos agendados. Posso me considerar uma inimiga do desemprego, tenho esse histórico — diverte-se.
A rotina de trabalho intensa acompanha Isabelle desde a infância, quando ela interpretou Emília no “Sítio do Picapau Amarelo” (2001). A série voltará ao ar no Globoplay no próximo dia 27:
— É um marco, uma comoção. Estou muito animada. De repente, me pego lembrando de muita coisa. Foram muitos anos trabalhando, estou acostumada com esse ritmo. Sou artista e trabalhadora desde os 6 anos de idade. Faz parte da minha personalidade. Gosto de férias, mas de férias produtivas.
No “Sítio”, Isabelle contracenou com Leandra Leal, que atualmente interpreta sua mãe na novela das 19h e com quem ela estrelou “Cheias de charme” (2012):
— Temos muita história. Agora, nos reencontramos em outra fase, com outra cabeça. Quando fiz “Cheias de charme”, eu era menor de idade. Hoje, a Lelê já tem dois filhos, e nossa perspectiva é totalmente diferente. Foi muito bonito nos reconhecermos neste novo lugar para construir esta relação de mãe e filha loucas, completamente equivocadas e desconectadas da vida real. Nos inspiramos muito uma na outra nesse processo.
Dar vida a Naiane, uma mulher que transforma a própria rotina em espetáculo digital, exigiu da atriz um mergulho em um universo distante da sua realidade:
— Foi muito esclarecedor pensar sobre a vida sob a perspectiva das redes sociais. Na novela, brincamos com o absurdo, mas muitas daquelas situações de fato existem. A Naiane me trouxe esse lugar digital, da vida pessoal vista como um produto, algo muito comum para os influenciadores hoje. Ela é toda feita de excessos, enquanto eu sou extremamente minimalista. Esta experiência foi muito expansiva e me trouxe ótimas reflexões.
Fora das telas, Isabelle diz que busca canalizar a energia para projetos pessoais e profissionais e para o cultivo da espiritualidade. A atriz ressalta que suas escolhas ultrapassam rótulos:
— Sou cristã praticante, e isso faz parte da minha vida. Hoje, me considero mais consciente da minha fé e dos meus valores, que busco aplicar no dia a dia. Tenho uma comunidade de fé, pessoas que caminham comigo, e gosto desta vivência. Porém, acredito que nossas escolhas pessoais e profissionais transcendem estereótipos. A forma como contribuímos socialmente nem sempre é óbvia.
Ao refletir sobre o futuro e a possibilidade de construir uma família, Isabelle comenta:
— Quero ser mãe, mas ainda tenho que pensar um pouco. Existem formas diferentes de ser mãe. Não sei como será ainda, mas pretendo. Sou da teoria de que trabalhamos seis dias e descansamos um, mas esse trabalho não precisa ser remunerado. Cuidar de casa, dos filhos, realizar trabalhos sociais ou cuidar dos animais também são trabalhos. A mulher sempre trabalhou muito, mesmo quando não tinha permissão social para ter uma profissão. Ela cuidava da educação, da alimentação, da organização. O feminino sempre trabalhou e deu suporte.

