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Por que algumas pessoas preferem apagar a luz durante as relações sexuais? Especialistas explicam

Por Redação Juruá em Tempo.24 de julho de 20264 Minutos de Leitura
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Para alguns casais, ter relações sexuais com a luz apagada é um hábito comum e que não representa nenhum problema. No entanto, quando essa necessidade está relacionada à vergonha, à ansiedade ou ao desconforto com o próprio corpo, ela pode influenciar a intimidade e a satisfação sexual.

O contato visual nem sempre é indispensável durante a relação sexual, já que muitos casais preferem concentrar a atenção no toque e aproveitar o momento. Por isso, manter a luz acesa ou apagada costuma ser um detalhe de pouca importância, explica Elizabeth Montaño, psicóloga, mestre em Sexologia Clínica e Terapia de Casal, em entrevista ao portal Psychology Today.

Segundo a especialista, essa escolha é uma questão de preferência, mas também pode ter raízes mais profundas na relação que cada pessoa mantém com o próprio corpo e com o parceiro.

Com base em sua experiência clínica, Montaño afirma que são as mulheres que, com mais frequência, optam por fazer sexo com a luz apagada por se sentirem insatisfeitas com o próprio corpo ou por apresentarem baixa autoestima.

— Uma porcentagem significativa das mulheres que atendo relata algum grau de insatisfação corporal ou uma desconexão com o próprio corpo — comentou Montaño.

Na mesma linha, Carmen Sánchez Martín, codiretora do Instituto de Sexologia de Barcelona e autora do livro O Sexo que Nós, Mulheres, Queremos, explica que algumas mulheres preferem manter a luz apagada porque assim se sentem mais confortáveis.

— Há mulheres que preferem fazer sexo com a luz apagada, principalmente porque se sentem desconfortáveis com o próprio corpo. Elas ficam incomodadas, por exemplo, com a forma como determinadas posições podem destacar sua silhueta. Por isso, preferem evitá-las ou praticá-las com a luz apagada ou com uma iluminação suave — afirmou Sánchez.

De acordo com as especialistas, esse comportamento está relacionado às pressões socioculturais ainda presentes na sociedade e aos modelos de educação sexual baseados no pudor e no controle do corpo feminino.

— Os padrões de beleza estão aí, e também entra em cena a distorção entre ficção e realidade provocada pela pornografia. No pornô comercial, os estereótipos são muito marcantes, tanto em relação aos corpos quanto às práticas sexuais. Isso acaba criando distorções sobre aquilo que a pessoa tem e o que acredita que deveria ter — acrescentou Sánchez.

Elizabeth Montaño também explica que a escuridão pode funcionar como uma forma de aliviar a ansiedade, já que a pessoa sente que o parceiro não irá focar nos supostos “defeitos” do seu corpo.

— Ter relações com a luz apagada funciona como um recurso de regulação emocional, reduzindo a exposição do próprio corpo e diminuindo a ansiedade — argumentou Montaño.

Homens também podem sentir insegurança

Embora essa situação seja mais frequentemente relatada por mulheres, os homens também podem apresentar desconforto com a própria aparência.

— É verdade que a maioria das pessoas que se sente mais confortável fazendo sexo no escuro são mulheres, ou pelo menos elas falam mais sobre isso. No entanto, também existem homens inseguros, principalmente em relação ao tamanho do pênis, e isso também afeta sua vivência da sexualidade. Por isso, alguns preferem uma iluminação mais suave, com luz e sombra, em vez de um ambiente muito iluminado — explicou Sánchez.

Ainda assim, fazer sexo com a luz apagada nem sempre está relacionado à insegurança. Segundo Montaño, muitos casais simplesmente preferem uma iluminação mais baixa como parte do clima romântico e da experiência erótica.

— A iluminação suave ou até mesmo a escuridão parcial pode ser apenas uma preferência erótica. Nem sempre ela está associada ao medo ou a algum tipo de disfunção; muitas vezes, é apenas a forma estética e emocional pela qual o casal desfruta melhor do encontro — afirmou.

A especialista conclui que a decisão de apagar ou acender a luz depende exclusivamente de cada casal e da maneira como ambos se sentem mais seguros para viver a própria sexualidade, sem vergonha, sem pressão e com liberdade para escolher o ambiente que mais favoreça o prazer.

Por: Wendys Pitre Ariza, Em El Tiempo.
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