Yohama Eshima aprendeu com o budismo o quanto o ambiente reflete aquilo que emanamos. E contracenar com Tony Ramos em “Quem ama cuida”, segunda novela das 21h da atriz na TV Globo, é uma maneira de experimentar isso na prática. “Sempre vou para as gravações com a intenção de absorver o máximo de conhecimento relacionado ao meu ofício e crescer ainda mais”, diz a curitibana, que dá vida a Elza na trama.
A personagem é dona da floricultura onde Otoniel (Tony) trabalha e vai se apaixonar por ele no desenrolar do folhetim, cuja segunda fase começa esta semana. Uma feliz coincidência entre realidade e ficção. Yohama tem 37 anos e seu colega de cena, 77. Na vida real, ela é casada com o diretor e produtor de cinema Flávio Ramos Tambellini, de 73. “Está mais do que sacramentado que a diferença de idade não é empecilho. Comprovo e vivencio isso todos os dias”, diz. “Relacionamentos não têm a ver com quantos anos o parceiro ou a parceira têm, mas com a cabeça e como aquela pessoa cresceu.”
Tony, por sua vez, afirma ter encontrado na colega uma aliada poderosa para a construção da narrativa em curso. “O trabalho em novelas é sempre desafiador, principalmente quando surgem personagens enquanto a história vem caminhando”, ele afirma. “É um prazer trabalhar com uma atriz tão dedicada. Elza traz muitos mistérios e, portanto, é importante que o papel seja interpretado por uma pessoa atenta.”
A mesma profundidade aparece na maneira como Yohama encara outro papel na vida real: o de mãe. Tom, seu filho de 5 anos com Flávio, nasceu com esclerose tuberosa e, devido à doença genética, desenvolveu epilepsia. A condição fez com que ela se engajasse politicamente quanto à disponibilidade de medicamentos fundamentais para estes casos nas farmácias e no SUS. Uma agenda que envolve postagens sobre o tema nas redes e visitas a Brasília, onde cobra a atuação das autoridades. “A maternidade atípica é uma revolução”, comenta a atriz. “É preciso amar seu filho como ele veio, mas não se resignar. Diagnóstico não é destino.”

