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Polícia prende principal suspeito de matar mulher encontrada amarrada dentro de casa

Quatro dias após a agricultora Maria do Socorro Pereira do Nascimento, de 58 anos, ser encontrada morta dentro da própria casa, na zona rural de Bujari, a Polícia Civil do Acre prendeu temporariamente o homem apontado como principal suspeito do crime. A operação foi realizada nesta segunda-feira, 27, e incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão, além da apreensão de aparelhos celulares que serão periciados para auxiliar na investigação.

Maria do Socorro foi encontrada sem vida na noite da última sexta-feira, 24, em uma propriedade localizada no km 33 da BR-364. Ela estava com as mãos amarradas para trás, os pés amarrados e apresentava um golpe de faca no pescoço. O crime chocou moradores da região e passou a ser investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Bujari.

Desaparecimento chamou atenção da família

A ausência de contato da agricultora foi o que levou familiares até a residência. O filho da vítima, que mora em Cruzeiro do Sul, estava em Rio Branco participando de um curso e havia combinado um jantar com a mãe. Como ela deixou de atender ligações e responder mensagens, parentes decidiram ir até o imóvel.

Segundo as investigações, a última atividade de Maria do Socorro em um aplicativo de mensagens foi registrada por volta das 14h. Ao entrarem na casa, os familiares encontraram a agricultora caída sobre a cama.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a equipe apenas constatou o óbito. Em seguida, a Polícia Militar isolou o local para o trabalho da perícia, e o corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML).

Conflito por terras é uma das linhas de investigação

De acordo com a Polícia Civil, as diligências realizadas desde a descoberta do crime apontaram para conflitos familiares envolvendo a propriedade rural onde a vítima morava.

Durante as oitivas, testemunhas informaram que S.P.N., preso temporariamente nesta segunda-feira, teria ameaçado Maria do Socorro de morte antes do homicídio. Conforme os investigadores, as ameaças ocorreram em meio a desentendimentos relacionados à disputa pela área.

As investigações também apontam que a agricultora mantinha uma disputa judicial pela propriedade contra integrantes da própria família e havia obtido decisão favorável na Justiça.

Outro elemento considerado relevante pela equipe é que o investigado esteve nas proximidades da residência da vítima durante o intervalo entre o horário provável da morte e a localização do corpo. Conforme apurado, ele esteve na casa de familiares vizinhos, situada perto do imóvel onde o crime ocorreu.

Além disso, os investigadores verificaram que a residência não apresentava sinais de arrombamento. Conforme as informações levantadas inicialmente, apenas uma carabina de pressão foi levada do local.

Mandados e prisão

Na manhã desta segunda-feira, equipes da Polícia Civil cumpriram dois mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados à investigação. À tarde, foi cumprido um mandado de busca pessoal e um mandado de prisão temporária contra S.P.N., apontado como principal suspeito do homicídio.

A operação mobilizou 12 policiais civis, entre integrantes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e equipes das delegacias de Bujari e Rio Branco.

Durante o interrogatório, o investigado negou participação no assassinato. No entanto, confirmou que havia ameaçado Maria do Socorro anteriormente, alegando que o episódio ocorreu por outro motivo e não estaria relacionado ao conflito pela propriedade.

Os policiais também apreenderam aparelhos celulares utilizados pelos investigados. Os equipamentos serão submetidos à perícia para extração de dados, que poderão ajudar a esclarecer a dinâmica do crime, as comunicações entre os envolvidos e a eventual participação de outras pessoas.

Investigação continua

O delegado Igor Brito, responsável pelo caso, afirmou que as medidas cumpridas representam um avanço nas investigações e destacou o trabalho das equipes envolvidas.

“As diligências realizadas permitem aprofundar a análise dos elementos já reunidos e avançar na elucidação das circunstâncias do crime. É importante destacar o trabalho técnico, dedicado e diligente dos investigadores de polícia de Bujari, que desde os primeiros momentos atuaram de forma contínua na coleta de informações e no desenvolvimento das linhas investigativas. Também merece reconhecimento a atuação célere do Ministério Público e do Poder Judiciário, que analisaram prontamente a representação policial e viabilizaram, com a necessária agilidade, o cumprimento das medidas indispensáveis ao avanço da investigação”, afirmou.

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para esclarecer completamente o homicídio, identificar a eventual participação de outras pessoas e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos.