Pular para o conteúdo
O Juruá Em Tempo
Início / Acre

Grávida de oito meses relata abandono após demissão coletiva em Feijó

Endrica Mourão, gestante de oito meses, denunciou em suas redes sociais uma situação de abandono e descaso após ser demitida em janeiro deste ano, junto com todos os funcionários de uma empresa terceirizada que prestava serviços para a prefeitura de Feijó, no Acre. Desde então, ela enfrenta sete meses sem receber salários, sem acesso ao FGTS e sem conseguir que a Justiça do Trabalho intime a empresa responsável.

Segundo relato de Endrica, em dezembro de 2025, os funcionários foram obrigados a assinar férias coletivas. Ao retornarem em janeiro de 2026, todos foram surpreendidos com a demissão em massa, sem aviso prévio. A prefeitura encerrou a licitação com a empresa terceirizada, e os trabalhadores foram comunicados sobre a rescisão. Endrica, que já estava grávida na época, tentou negociar seus direitos diretamente com o responsável pela empresa em Feijó, que, inclusive, mantém um escritório no município. Em março, o representante chegou a garantir que resolveria a situação pessoalmente, dizendo a ela: “não precisa passar nada pro prefeito, a tua situação é eu que vou resolver”. No entanto, os meses se passaram e nada foi pago.

A mulher relata que procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEMI), a empresa, enviou mensagens e fez ligações, mas sempre recebia respostas evasivas. Diante do descaso, ela decidiu levar o caso à Justiça do Trabalho. Contudo, o processo enfrenta um obstáculo grave: a Justiça não consegue intimar a empresa, que possui CNPJ registrado em Cruzeiro do Sul (AC). Mesmo com todas as informações repassadas — incluindo o endereço do escritório em Feijó e o contato do responsável — ele nega o recebimento de qualquer notificação.

A prefeitura de Feijó também foi incluída no processo como parte subsidiária, ou seja, como responsável solidária pelo cumprimento das obrigações trabalhistas da empresa terceirizada. Mesmo assim, em audiência realizada recentemente, nenhum representante da empresa ou da prefeitura compareceu. Além da falta de pagamento, Endrica descobriu que a empresa adulterou sua carteira de trabalho para constar como se ela estivesse recebendo salários normalmente — o que, segundo ela, não ocorre. O FGTS está atrasado há um ano.

Diante disso, a situação já afeta profundamente a saúde física e mental de Endrica, que está no oitavo mês de gestação. Ela critica a falta de proteção tanto da empresa quanto do poder público. “Eu me vejo em uma situação de revolta, onde eu cheguei no limite de cansaço físico e mental, onde eu estou vendo tudo desabando e eu confiando nas pessoas e na lei. As minhas contas não esperam a boa vontade desses responsáveis”, afirmou.