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Mortos por PM em Cruzeiro do Sul eram conhecidos da polícia; suposta apologia ao crime com queima de fogos será apurada

A Polícia Civil de Cruzeiro do Sul, por meio do Núcleo Especializado de Investigação Criminal (NEIC), iniciou a investigação sobre a tentativa de assalto que terminou com a morte de dois acusados, na quarta-feira, 29, na loja da Vivo.

De acordo com o delegado Everton Carvalho, titular do NEIC de Cruzeiro do Sul, os dois homens já eram conhecidos das forças de segurança e tinham envolvimento com organização criminosa.

“Indivíduos conhecidos da Polícia Civil, da Polícia Militar também, indivíduos com atuação em organização criminosa”, afirmou o delegado.

Segundo Heverton Carvalho, após a ocorrência, foram identificados vídeos circulando nas redes sociais, além da queima de fogos em homenagem aos mortos. Para o delegado, a atitude demonstra o grau de envolvimento dos suspeitos com grupos criminosos e também será alvo da investigação.“Foi, inclusive, possível perceber uma onda de fogos de artifício em homenagem e circularam alguns vídeos na rede social fazendo honras à organização criminosa aqui no município de Cruzeiro do Sul. Então, a gente vê e percebe o grau de envolvimento desses indivíduos com a organização criminosa”, disse.

“A Polícia Civil também vai trabalhar para identificar essas pessoas que estavam fomentando esse tipo de prática, no sentido de responsabilizar por essas ações, a partir do momento que ficam divulgando esses vídeos e fazendo apologia ao criminoso e ao crime”, acrescentou o delegado.

Reação do policial será investigada

Conforme as informações levantadas até o momento, os dois acusados entraram no estabelecimento usando capacetes e, inicialmente, teriam solicitado materiais disponíveis no local. A situação teria levantado suspeitas e, posteriormente, os homens teriam anunciado o assalto.Um policial que estava no estabelecimento conseguiu reagir e efetuou disparos contra os suspeitos.

Para o delegado Everton Carvalho, a ação, a princípio, apresenta características de legítima defesa, tanto própria quanto de terceiros que estavam no estabelecimento, mas a conclusão dependerá dos laudos e dos depoimentos.“Ao perceber, conseguiu reagir a esse assalto, atuando, assim, ao que tudo indica aqui pela configuração, em legítima defesa própria e de terceiros que estavam ali frequentando o estabelecimento comercial”, explicou.

A perícia esteve no local e recolheu materiais que serão analisados. Entre os objetos apreendidos está uma arma de fogo que estaria com um dos acusados. A pistola estava carregada com dez munições calibre .380. Um simulacro de arma de fogo e o celular de um dos mortos também foram recolhidos.

A investigação ainda está em fase inicial. O NEIC deverá ouvir o policial que reagiu à ação, os funcionários do estabelecimento, as pessoas que estavam sendo atendidas no momento do assalto e possíveis testemunhas que estavam nas proximidades.“Vai ser ouvido agora as vítimas do evento, as pessoas que estavam recebendo atendimento, bem como o policial que agiu ali naquele momento. A gente vai buscar também por imagens de câmeras que possam esclarecer a dinâmica dos fatos”, afirmou Everton.

A Polícia Civil também vai tentar esclarecer exatamente como os dois homens entraram na loja, como ocorreu a abordagem e em que momento o policial reagiu.

Número de disparos ainda não foi confirmado

Apesar de os dois acusados terem morrido no local, a Polícia Civil ainda não sabe informar quantos disparos foram efetuados ou quantos atingiram cada um deles.

“Essa aí só a perícia técnica vai poder afirmar quantos disparos atingiram, bem como quantos foram atingidos os assaltantes. Esses dados a gente não tem. A perícia foi no local, os materiais foram coletados e vamos aguardar a entrega do laudo pericial”, explicou o delegado.