Ana Clara Winter fará uma participação em “Quem ama cuida”. Na trama, ela interpretará uma jornalista que cobrirá o caso de assédio praticado por Ademir (Dan Stulbach) e o colocará contra a parede.
Ana Clara celebra o convite e comenta o contexto da história:
— É um momento muito especial. Participar de um produto tão grande, de uma novela das nove, saber que é um produto que entra na casa das pessoas todos os dias é uma alegria. Ainda mais fazendo parte de uma novela que aborda temas tão importantes como sexismo, preconceito, homofobia. E eu caí no núcleo do Ademir. Faço uma jornalista que tenta fazer umas perguntas para ele. É ela que retrata a denúncia de assédio sexual.
A atriz também fala da importância de retratar a violência contra a mulher no horário nobre:
— Achei muito especial ter caído nesse núcleo e falar sobre um assunto tão importante. Nós, mulheres, temos tido mais espaço e mais oportunidade, mas isso não anula o fato de que somos assediadas, violentadas, violadas 24 horas por dia, todos os dias. Moramos no Brasil, que é um país número 1 no ranking de feminicídio e violência contra a mulher. É absolutamente necessário que isso esteja sendo falado. Fiquei muito feliz quando entendi toda a temática que a novela estava abordando.
Ela revela que o convite para participar de “Quem ama cuida” veio da diretora de elenco Dani Ciminelli:
— A Dani me ligou na quarta e eu já teria que gravar na quinta. Eu estava em cartaz com a peça “A moratória”, um clássico do Jorge Andrade, um texto maravilhoso. Na quinta, eu faria minha última apresentação como Lucília, a personagem principal. Nós somos uma companhia de teatro stand-in, fazemos revezamento do elenco, então outra atriz conseguiu me substituir e deu tudo certo.
Filha de Palomma Duarte e Marcos Winter, Ana Clara se formou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro. Formada também em jornalismo, ela conta que sempre sonhou em ser atriz e acredita que crescer em meio a uma família de artistas teve, sim, influência na escolha da profissão:
— Eu sempre quis trabalhar com isso. Desde muito nova, sempre vivi muito esse universo, sempre estive nesse meio. Sempre foi um desejo quase profano de trabalhar com isso a minha vida inteira. A partir do momento em que você é inserido, é apresentado a esse universo… Imagina eu, como criança, viver essa experiência. Chegar num camarim, ter tantas possibilidades, tantas variações, maquiagem, cabelo, caracterização, figurino. Com certeza, crescer nesse ambiente me influenciou.
Ana Clara conta que costuma trocar ideias sobre a profissão com os pais e revela se eles vão assistir à sua participação na novela:
— Eu lembro que, quando eu era mais nova, minha mãe adorava se reunir para assistir ao primeiro capítulo e ver a primeira aparição da personagem. Mas, sendo muito sincera, agora é uma coisa que foi se naturalizando, uma coisa que faz parte da minha vida, da minha criação, da minha família a vida inteira. Então está todo mundo sempre numa correria. Não é sempre que conseguimos nos acompanhar tão de pertinho e ver o primeiro episódio, a primeira aparição. Mas estamos sempre trocando sobre isso, sempre nos assistindo e sempre nos admirando.
Antes de “Quem ama cuida”, Ana Clara já esteve em “Malhação” e também na primeira fase de “Além da ilusão“, em que deu vida a Heloisa, que depois foi interpretada por sua mãe. Ela conta se os pais sempre a apoiaram na profissão:
— Foi muito difícil para eles também, talvez por fazerem parte desse meio e trabalharem com isso a vida inteira. Eles sabem que a gente mora no Brasil, que o nosso trabalho é absolutamente sucateado, principalmente quando falamos de teatro. Eu entendo que eles tiveram uma superpreocupação. Ainda é uma preocupação. Mas chegou uma hora em que não teve jeito, em que eles viram e falaram: “É isso aí, minha filha. Vai que vai e está tudo certo”. Fiz minha primeira personagem na televisão com 7 ou 8 anos. Eu era uma criança, não sabia exatamente o que estava fazendo, mas estava fazendo. Quando eu terminei esse trabalho, outras emissoras entraram em contato, quiseram fechar, e os meus pais não deixaram. A minha mãe queria muito que eu me formasse e, hoje em dia, na verdade, eu sou muito grata a isso, porque eu consigo entender claramente o porquê desse movimento. O fato de eu continuar os meus estudos, ter feito uma faculdade de jornalismo, foi maravilhoso para mim. Foi superenriquecedor. Foi um rito de passagem na minha vida. Eu escolhi jornalismo sabendo que seria uma coisa que me agregaria muito valor pessoal. Foi muito importante também para eu entender o meu lugar no mundo.
Ana Clara diz que não se deixa abalar pela cobrança externa que sente por vir de uma família de atores consagrados:
— Esse peso existe, mas é muito interessante como isso vai se disseminando dentro de mim. E imagino até que a minha mãe também sinta, né? Ela tem a Débora (Duarte, avó de Ana Clara)… Então, quando você entende que você está sendo comparado a grandes artistas, a pessoas maravilhosas, está tudo bem. Está tudo certo, porque eu acredito no meu trabalho. Tudo bem o sarrafo ser alto. Um dia eu chego lá.
Bisneta de Lima Duarte, Ana Clara afirma que não costuma se incomodar com o título de nepobaby:
— Não tem muito como fugir disso e nem por quê, entendeu? É o que é. Quando é colocado de forma pejorativa me incomoda, assim como qualquer outra palavra colocada de forma pejorativa pode incomodar. Mas é isso. Eu sou nepobaby até o talo. Eu sou bisnepo (risos).
A atriz conta como é sua relação com o bisavô:
— Não temos uma relação de dia a dia. Não nos encontramos muito, então acabamos não convivendo muito. Eu tive uma convivência maior com ele quando era mais nova. Mas, recentemente, tivemos uma história engraçada. Eu gravei uma participação em “Além da ilusão” e a cena era com ele. Eu estava ali no set com Lima Duarte, que, de quebra, ainda é meu bisavô, numa cena superpesada em que ele tirava a minha filha do meu colo. Foi um momento interessante, vai ficar para sempre na nossa história e na minha cabeça.
Neste segundo semestre, Ana Clara revela que já tem alguns projetos no audiovisual em vista:
— As coisas estão sendo analisadas e entendidas. Não posso dar mais detalhes, porque você sabe como é o audiovisual. Mas estou vivendo um momento muito especial com o teatro também. Acabamos de fechar a terceira temporada de “A moratória”. A “Churros de polvo”, companhia da qual faço parte, ainda vai fazer dois anos. É uma jovem companhia. Mas é muito impressionante a forma como as coisas têm acontecido para a gente. Nós produzimos a primeira peça e, rapidamente, fomos contratados para fazer a segunda, que já vai completar um ano, terceira temporada. Não faremos a quarta por diversos motivos, mas foi um trabalho que chegou à sua conclusão. Vamos nos encontrar em breve para organizar tudo e ver quais são os próximos passos.
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