Pular para o conteúdo
O Juruá Em Tempo
Início / COTIDIANO

Novo estudo identifica 396 geoglifos inéditos e amplia conhecimento sobre povos antigos da Amazônia

Um estudo publicado na revista científica Nature identificou 396 novos geoglifos no sudoeste da Amazônia, ampliando o conhecimento sobre as populações que ocuparam a região antes da chegada dos europeus. A pesquisa foi realizada por cientistas brasileiros e finlandeses e mapeou cerca de 4.500 quilômetros quadrados de floresta no Acre e em áreas próximas à fronteira com a Bolívia.

Ao todo, os pesquisadores localizaram 432 estruturas arqueológicas na área analisada, sendo 396 delas até então desconhecidas. O levantamento utilizou a tecnologia LiDAR, um sistema de sensoriamento remoto que permite mapear o relevo do solo mesmo sob a cobertura da floresta.

A descoberta reforça evidências de que a Amazônia foi ocupada por sociedades organizadas, capazes de modificar a paisagem em larga escala. Os geoglifos — estruturas formadas por valas e aterros de grandes dimensões — teriam sido construídos entre aproximadamente 600 a.C. e 850 d.C. pela chamada sociedade Aquiry, denominação adotada pelos pesquisadores para esse conjunto cultural do sudoeste amazônico.

Segundo o estudo, essas estruturas provavelmente eram utilizadas para cerimônias, reuniões, decisões políticas e outras atividades comunitárias. O mapeamento também ajuda a compreender a distribuição dos sítios arqueológicos e suas possíveis conexões por antigos caminhos.

Os autores estimam que os geoglifos identificados representam apenas uma pequena parte do patrimônio arqueológico da região. A projeção é de que mais de 20 mil estruturas ainda permaneçam ocultas sob a floresta.

Como essas populações não deixaram registros escritos conhecidos, os geoglifos e outros vestígios arqueológicos são fundamentais para reconstruir aspectos de sua organização social, modos de vida e ocupação do território. Há evidências de grandes habitações coletivas e do cultivo de plantas como milho e abóbora.

Os pesquisadores também destacam que essas sociedades abandonaram os geoglifos entre 850 e 950 d.C., embora as causas desse processo ainda não tenham sido esclarecidas.

Os geoglifos do Acre já integram a lista indicativa brasileira para futura candidatura ao título de Patrimônio Mundial da UNESCO. O novo levantamento reforça a importância arqueológica da região e contribui para uma revisão da história da ocupação humana na Amazônia.

Com informações do Portal Rondoniaovivo