Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu deixar a coordenação da campanha do petista após ser revelado empréstimo de R$ 249 mil que ele contraiu com a empresária Roberta Luchsinger.
A transferência financeira feita por Roberta, que foi alvo da Polícia Federal sob suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, está sendo investigada pela PF. Ela é apontada nas investigações como lobista e é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Marcola, em nota divulgada na terça-feira, disse que pagou R$ 249 mil à empresária após ter obtido um empréstimo pessoal junto a ela.
Ele disse ainda que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para demonstrar que “jamais houve nada além do empréstimo pessoal” e negou qualquer irregularidade na operação. Ele não afirmou, no entanto, quando ocorreu o empréstimo.
Marcola já tinha deixado a atuação no Planalto em julho para se integrar à equipe de coordenação da campanha de Lula à reeleição. Ele desempenhava o mesmo papel de 2022, atuando na agenda do presidente, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.
Segundo pessoas próximas, Marcola decidiu se dedicar a sua defesa. Há uma avaliação de que ex-chefe de gabinete vinha sendo alvo de fogo amigo. O ex-auxiliar de Lula é um dos nomes mais próximos do presidente. Aos 40 anos, manteve forte relação com o petista na última década, com acesso ao presidente em momentos privados e atento inclusive aos hábitos do petista. Cuidava da agenda do presidente desde a época do Instituto Lula, onde ingressou em 2015.
Foi um dos coordenadores executivos da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e mudou-se para Curitiba quando o presidente esteve preso na Superintendência da PF, entre 2018 e 2019.
Após a revelação dessa transação, integrantes do Palácio do Planalto reconheceram, de forma reservada, o constrangimento com o episódio. A avaliação é que Marcola errou, mas que contrair empréstimos não é crime. Eles cobraram, no entanto, que o petista apresente a comprovação do empréstimo e esclareça o ocorrido com detalhes, para evitar que o caso cresça, afirmando que haverá um desgaste com o caso. A avaliação é que o tema da corrupção ainda afeta a imagem do governo Lula e que é preciso afastar qualquer relação do com o próprio petista.
A campanha de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições, por sua vez, está usando o episódio para desgastar a imagem do presidente, buscando colar o escândalo do INSS no petista e em sua gestão.



