Do ponto de vista contratual, o principal entrave está em uma cláusula estipulando que, em caso de atraso no pagamento de uma das quatro parcelas da dívida de R$ 42 milhões do clube com o atleta, o valor total deve ser quitado de uma vez só, com juros e multa.
Os advogados de Memphis querem alguma segurança de que o clube irá honrar com seu compromisso. Por outro lado, o Corinthians se mantém irredutível na questão e assume que, eventualmente, pode atrasar um ou outro pagamento devido à grave crise financeira.
A atual gestão tem um planejamento de que, caso reeleita em 2027, teria fôlego financeiro para contratar um nome de alto nível com vencimentos na casa de R$ 2 milhões mensais.
Se não renovar com Memphis, a previsão financeira poderia se perder apenas com o pagamento da multa devida ao holandês. Portanto, a permanência do atacante, desde que nos termos propostos pelo Corinthians, poderia ser benéfica a médio e longo prazo.
Os valores da negociação, os prazos de pagamento e outras questões da redação do contrato não são os únicos entraves. Internamente, o clube está agitadíssimo com o assunto.
Politicamente, aliados importantes de Osmar Stabile afirmam que “soltarão a mão” do dirigente caso a renovação com Memphis Depay seja assinada. A eleição presidencial do clube será realizada no último trimestre deste ano, o que aumenta a importância de alianças.
Os desafetos do holandês argumentam que a dívida criada no primeiro contrato é uma “herança maldita” do ex-presidente Augusto Melo, figura mal vista por quase todos os atuais grupos políticos. Se a atual gestão firmar um novo acordo milionário, o eventual ônus seria transferido para Stabile.
Há também a versão do departamento de futebol. O executivo Marcelo Paz e o técnico Fernando Diniz são favoráveis à renovação e externaram suas opiniões ao presidente há semanas. No atual momento, eliminado da Copa do Brasil, o Corinthians não conta com o lesionado Yuri Alberto e precisou apostar em Gui Negão e Pedro Raul em seus dois últimos jogos.