A fertilização in vitro (FIV) tem transformado a pecuária brasileira e já domina os plantéis de elite presentes na Expoacre 2026. Segundo o empresário Jean, da Norte Rebanho, mais de 90% dos animais expostos na feira foram produzidos por meio da técnica, que acelera o melhoramento genético e aumenta a eficiência dos rebanhos.
A informação foi destacada durante entrevista concedida ao jornalista Itaan Arruda, do ac24horas, nesta quinta-feira (6), no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.
De acordo com Jean, a principal vantagem da produção in vitro de embriões é a rapidez com que o produtor consegue incorporar genética superior ao rebanho.
“Quando a gente fala de produção in vitro de embriões, a gente se preocupa com dois fatores. Um, a velocidade do melhoramento genético”, afirmou.
O empresário explicou que, por meio da FIV, é possível alcançar em uma única geração um avanço genético que, pelo método tradicional de reprodução, levaria mais de duas décadas.
“A gente chegou a comentar com um dos técnicos presentes no fórum que levaria até 21 anos para você conseguir ter o ganho genético que você consegue ter com a produção in vitro de embriões. Então, quando a gente fala de velocidade de melhoramento genético, a gente fala de produção em milhões”, destacou.
Outro diferencial da técnica é a utilização da avaliação genômica, que permite identificar animais geneticamente superiores ainda nos primeiros meses de vida. Segundo Jean, a coleta de óvulos pode ser realizada quando a fêmea tem apenas quatro meses de idade, muito antes de atingir a maturidade reprodutiva.
“Eu já consigo coletar os óvulos dessa fêmea aos quatro meses de idade contendo dados através da avaliação genômica, dados que mostram a superioridade genética desse animal”, explicou.
Com isso, a genética da matriz pode ser multiplicada antes mesmo de ela produzir seu primeiro bezerro naturalmente. Após a coleta dos óvulos e a fertilização em laboratório, o embrião fica pronto em aproximadamente sete dias para ser transferido a uma fêmea receptora.
Jean também ressaltou que os embriões produzidos podem ser criopreservados em nitrogênio líquido, permitindo seu armazenamento por tempo indeterminado e facilitando a comercialização do material genético.
“Esse material genético que a gente gera é comercializado e armazenado, inclusive idêntico ao sêmen. Então ele é conservado em nitrogênio. Ele não tem vida útil, ele pode durar 50, 100 anos dentro do nitrogênio”, afirmou.
Segundo o empresário, a combinação entre fertilização in vitro, avaliação genômica e criopreservação tornou-se uma das principais ferramentas para elevar a produtividade da pecuária de corte e de leite, permitindo que os produtores multipliquem rapidamente animais de alto valor genético e acelerem a evolução dos rebanhos.



