A primeira rodada do Campeonato Brasileiro disputada sob o novo pacote de medidas contra a cera apresentou um avanço no tempo efetivo de jogo, mas ainda não suficiente para alcançar o patamar pretendido pela CBF. Nos nove primeiros jogos da 23ª rodada, a bola ficou rolando, em média, por 55 minutos e 29 segundos. São 2 minutos e 35 segundos a mais que os 52min54s registrados no estudo que serviu de base para a mudança, um crescimento de 4,9%, praticamente 5%. Ainda assim, a marca está 1min31s abaixo do piso de 57 minutos que a entidade aponta como objetivo para uma segunda etapa de evolução.
A origem dos números usados pela CBF é a Opta, empresa de dados da Stats Perform. A CBF Academy encomendou à companhia o relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, apresentado aos clubes antes da aprovação das medidas. O trabalho analisou 177 partidas da Série A disputadas até a paralisação para a Copa do Mundo e encontrou média de 52min54s de bola rolando. Portanto, essa é a linha de base oficial usada pela confederação e não exatamente a média de todas as 22 primeiras rodadas do campeonato.
— Esse primeiro fim de semana com a implementação das novas regras traz um balanço muito positivo. Ainda é prematuro falar em uma consolidação dos resultados, mas já foi possível perceber avanços importantes em diversos jogos. O aumento do tempo de bola rolando contribui diretamente para um jogo mais fluido, mais dinâmico e, principalmente, para a entrega de um produto cada vez melhor ao torcedor — disse Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.
Tempo de bola rolando nos nove jogos da 23ª rodada
- Athletico-PR 1 x 1 Bragantino: 60min18s
- São Paulo 1 x 1 Coritiba: 58min30s
- Atlético-MG 3 x 0 Grêmio: 57min16s
- Corinthians 1 x 2 Cruzeiro: 56min57s
- Chapecoense 3 x 3 Bahia: 56min39s
- Mirassol 1 x 5 Flamengo: 55min43s
- Vitória 1 x 0 Botafogo: 52min45s
- Fluminense 3 x 2 Palmeiras: 52min12s
- Vasco 0 x 3 Santos: 48min58s
A melhora, portanto, não foi uniforme. Seis dos nove jogos ficaram acima dos 52min54s usados como referência pela CBF. Apenas três, porém, atingiram ao menos 57 minutos, e somente Athletico-PR x Bragantino rompeu a barreira dos 60. O outro extremo foi Vasco x Santos, com 48min58s, quase quatro minutos abaixo da antiga média do campeonato. Os registros partida a partida coincidem com os tempos apresentados nas bases estatísticas consultadas para os jogos da rodada.
A comparação internacional ajuda a dimensionar o avanço. No mesmo relatório elaborado pela CBF Academy a partir dos dados da Opta, o Brasileiro aparecia atrás das cinco principais ligas europeias e da MLS. Com os 55min29s desta primeira amostra sob as novas medidas, o campeonato teria apresentado neste fim de semana um nível de jogo efetivo próximo ao observado nas principais competições do mundo, embora a comparação coloque uma única rodada brasileira diante de médias obtidas em amostras muito maiores.
Até a pausa para a Copa do Mundo, a média nas partidas do Brasileirão era de 52 minutos e 54 segundos. Após os nove jogos de sábado e domingo, o tempo ficou em 55 minutos e 29 segundos. Esta média supera o tempo de bola em jogo de grandes ligas europeias, como a Premier League (55:23), La Liga (55:08) e Série A (54:28).
Tempo médio de bola rolando usado pela CBF na comparação entre ligas
- MLS: 57min12s
- Bundesliga: 56min18s
- Ligue 1: 56min17s
- Premier League: 55min23s
- LaLiga: 55min09s
- Serie A italiana: 54min28s
- Brasileirão antes das mudanças: 52min54s
Assim, a média dos nove jogos da 23ª rodada já supera, isoladamente, as referências apresentadas para Premier League, LaLiga e Campeonato Italiano. Continua, porém, abaixo de Bundesliga, Ligue 1 e MLS. Mais importante para a CBF, ainda não chegou à faixa de 57 a 58 minutos que o próprio estudo considera um patamar possível no médio prazo. Para alcançar 60 minutos, faltariam ainda 4min31s por partida.
O problema diagnosticado pela Opta vai além da cera mais evidente. O relatório mostrou que o Brasileiro não apenas tinha pouco futebol jogado como precisava de partidas mais longas para produzir esses 52min54s: os jogos duravam, em média, 102min41s. Também chamou a atenção a frequência e a duração das interrupções. Só as faltas consumiam cerca de 17 minutos e meio por partida, com média de 36,6 segundos entre a marcação e a retomada do jogo. Antes das mudanças, 26% dos jogos tinham menos de 50 minutos de bola rolando, enquanto apenas 6,8% ultrapassavam os 60.
Foi a partir desse diagnóstico que a CBF decidiu antecipar e ampliar medidas de combate ao antijogo. Entre elas estão a contagem para reposições em tiros de meta e laterais, a obrigação de saída mais rápida nas substituições e o período de um minuto fora de campo para jogadores atendidos. A regra dos oito segundos para o goleiro controlar a bola com as mãos, com escanteio para o adversário em caso de infração, já faz parte das Leis do Jogo da IFAB. O estudo da CBF estima que mudanças de comportamento e de arbitragem podem recuperar vários minutos de jogo efetivo e menciona potencial de ganho próximo de seis minutos por partida.
Onde a média da 23ª rodada está
- Referência anterior da CBF: 52min54s
- Nove primeiros jogos da 23ª rodada: 55min29s
- Ganho: +2min35s
- Aumento percentual: +4,9%
- Para chegar a 57 minutos: faltam 1min31s
A rodada ainda será completada nesta segunda-feira por Internacional x Remo, às 20h, no Beira-Rio. O jogo pode alterar a média final, mas não será suficiente para levá-la aos 57 minutos: para que os dez confrontos terminassem com exatamente essa marca, Inter x Remo precisaria ter 70min42s de bola efetivamente em jogo. A amostra ainda é pequena para atribuir todo o aumento exclusivamente às novas regras, mas o primeiro fim de semana produziu o resultado que a CBF procurava na direção correta: mais futebol dentro do mesmo jogo.
Conheça as novas regras
- Cinco segundos para arremesso lateral
Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.
- Cinco segundos para cobrar o tiro de meta
Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.
- Dez segundos para deixar o campo em substituições
Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.
- Um minuto fora após atendimento
Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.
- Após atendimento ao goleiro um jogador de linha fica fora por um minuto
Treinador indica quem cumpre o minuto fora.
- Somente o capitão fala com o árbitro
Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.
- Cobrir a boca em discussão: Vermelho (Protocolo Vini Jr.)
Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.
- Checagem de VAR para aplicação de segundo cartão amarelo
Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.
- Checagem de VAR para escanteio concedido por engano (aprovada para 2027)
Decisão do escanteio é revertida pelo VAR se puder ser alterada imediatamente e sem atrasar o reinício.



