O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destituiu seu ministro da Economia nesta sexta-feira, após o congresso censurá-lo por não comparecer a uma sessão de interpelação sobre sua gestão, segundo um decreto publicado no diário oficial. A destituição ocorre enquanto o país ainda enfrenta sua pior crise econômica em quatro décadas devido à falta de divisas.
O agora ex-ministro José Gabriel Espinoza deveria responder na terça-feira, em La Paz, a uma convocação do Congresso sobre emissões de títulos soberanos e atrasos na elaboração do atual Orçamento Geral do Estado, entre outros temas.
Espinoza, no entanto, informou que não poderia comparecer devido a uma viagem programada a Santa Cruz de la Sierra, no leste do país, e posteriormente ao Brasil. No mesmo dia, com 91 votos favoráveis, os parlamentares decidiram pela censura ao então ministro, o que obrigava o presidente a destituí-lo.
“Fica sem efeito a nomeação do ministro da Economia e Finanças Públicas, José Gabriel Espinoza”, afirma a resolução de Paz, que nomeou interinamente para o cargo o ministro da Produção Sustentável, Meio Ambiente e Água.
O governo de centro-direita de Paz inicialmente havia se recusado destituir Espinoza, com o porta-voz da Presidência afirmando, na noite de terça-feira, que ele continuava “no pleno exercício de suas funções”. Uma ação judicial para questionar a decisão do Congresso foi apresentada ao Tribunal Constitucional, e o governo defendia que não teriam sido alcançados os dois terços dos votos necessários para censurar o ministro.
Espinoza assumiu o cargo de ministro da Economia e Finanças Públicas em novembro de 2025, quando Paz chegou à Presidência e pôs fim a 20 anos de governos da esquerda de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025). Em uma mudança em sua política externa, a Bolívia se aproximou dos Estados Unidos e de organismos multilaterais de crédito em busca de ajuda financeira.
Durante os meses da gestão de Espinoza, foram obtidos programas de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a CAF e o Fundo Monetário Internacional, no valor de cerca de US$ 9,5 bilhões.



