Pular para o conteúdo
O Juruá Em Tempo
Início / Acre

Acre registra quase 280 pessoas desaparecidas em sete meses de 2026; número cresce 25% em um ano

O Acre registrou 278 casos de pessoas desaparecidas entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça. O número representa um aumento de 55 registros em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 223 casos.

Na comparação entre os dois períodos, o crescimento foi de 24,66%. A taxa de desaparecimentos também subiu: passou de 25,22 casos por 100 mil habitantes em 2025 para 53,68 por 100 mil habitantes em 2026.

Os dados consideram os registros informados pelos estados ao Sinesp e mostram ainda diferenças no perfil das pessoas desaparecidas, na distribuição dos casos ao longo dos meses e na comparação com outras unidades da Federação. O próprio Ministério da Justiça informa que o Sinesp-VDE é um painel estatístico alimentado por gestores estaduais de estatística.

Casos aumentaram em quase todos os meses

Abril foi o mês com maior número de registros no Acre em 2026, com 48 desaparecimentos. Fevereiro aparece na sequência, com 43 casos, seguido por maio, com 44.

Veja a distribuição dos registros:

Mês 2025 2026
Janeiro 22 33
Fevereiro 27 43
Março 34 36
Abril 32 48
Maio 32 44
Junho 37 36
Julho 39 38
Total 223 278

Homens são maioria entre os desaparecidos

Os homens representam a maior parcela dos registros de desaparecimento no Acre neste ano. Dos 278 casos contabilizados até julho, 169 são do sexo masculino, enquanto 95 são do sexo feminino. Em 14 registros, o sexo não foi informado.

Em 2025, eram 139 homens, 76 mulheres e oito registros sem informação sobre o sexo.

Sexo 2025 2026
Masculino 139 169
Feminino 76 95
Não informado 8 14
Total 223 278

Maiores de 18 anos concentram registros

A maior parte das pessoas desaparecidas no Acre em 2026 tinha mais de 18 anos. Foram 183 registros nessa faixa etária, enquanto 79 envolviam pessoas de 0 a 17 anos. Outros 16 casos não tinham a idade informada.

No mesmo período de 2025, foram registrados 141 desaparecimentos de pessoas com mais de 18 anos e 79 de crianças e adolescentes. Três registros não tinham informação sobre a faixa etária.

Acre tem a menor quantidade de casos entre as UFs

Apesar do aumento registrado no estado, o Acre aparece entre as unidades da Federação com menor número absoluto de desaparecimentos no período analisado.

Com 278 registros, o estado tem a menor quantidade de registros. Na outra ponta, São Paulo aparece com o maior número, com 12.173 registros entre janeiro e julho de 2026.

O ranking informado pelo Sinesp é:

Posição UF Desaparecimentos
São Paulo 12.173
Minas Gerais 5.709
Rio Grande do Sul 4.505
Rio de Janeiro 3.903
Paraná 3.609
Santa Catarina 2.606
Bahia 2.343
Goiás 2.139
Pernambuco 1.602
10º Espírito Santo 1.436
11º Ceará 1.359
12º Distrito Federal 1.340
13º Mato Grosso 1.310
14º Pará 972
15º Maranhão 837
16º Paraíba 600
17º Amazonas 585
18º Rondônia 570
19º Mato Grosso do Sul 521
20º Piauí 507
21º Alagoas 505
22º Rio Grande do Norte 478
23º Sergipe 391
24º Tocantins 365
25º Amapá 312
26º Roraima 279
27º Acre 278

Ranking por número absoluto de registros entre janeiro e julho de 2026, conforme os dados apresentados no painel do Sinesp.

Coleta de DNA para familiares

Nesta semana, inicia uma força-tarefa nacional para coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas. A mobilização começa nesta segunda-feira, 24, e segue até sexta-feira, 28.

No Acre, a coleta será realizada em Rio Branco, no Departamento de Polícia Técnico-Científica, no Instituto de Análises Forenses, localizado na Avenida Antônio da Rocha Viana, 1248, no bairro Bosque.

O material genético coletado poderá ser cruzado com perfis de pessoas encontradas vivas ou mortas sem identificação nos bancos estaduais, distrital e nacional. A coleta é gratuita e indolor, e a orientação é que, preferencialmente, familiares de primeiro grau, como pais, filhos e irmãos, participem da mobilização.

O Ministério da Justiça informa que os dados de pessoas desaparecidas são obtidos por diferentes fontes e que o Sinesp-VDE consolida indicadores de segurança pública a partir das informações fornecidas pelos gestores estaduais.