O calor extremo passou a ser um dos critérios para definir quando o feijão pode ser plantado no Acre. Um novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, estabelece os períodos considerados mais seguros para o cultivo do feijão de segunda safra no estado durante o ano-safra 2026/2027.
A Portaria SPA/MAPA nº 351 foi publicada nesta segunda-feira, 24, no Diário Oficial da União (DOU). O documento considera fatores como temperatura, disponibilidade de água e excesso hídrico para determinar as épocas de menor risco para a produção.
Um dos principais critérios utilizados no estudo é justamente a ocorrência de temperaturas muito altas durante a floração. O zoneamento considera a probabilidade de registros de 36°C ou mais nessa fase da cultura.
A preocupação está relacionada ao impacto direto do calor sobre a produtividade. Segundo o próprio documento, temperaturas do ar acima de 35°C durante a floração podem afetar o rendimento do feijoeiro.
Calor pode reduzir formação de vagens
De acordo com o Ministério da Agricultura, temperaturas elevadas entre a formação dos botões florais e o enchimento dos grãos podem reduzir componentes da produtividade, principalmente o número de vagens por planta.
O calor excessivo pode provocar a esterilização do pólen e a queda de flores. Quando as temperaturas diurnas ultrapassam 30°C e as noturnas ficam acima de 25°C, a taxa de queda de flores e de pequenas vagens pode aumentar.
Por isso, o calendário de plantio não é definido apenas pela disponibilidade de chuva. A época escolhida precisa levar em consideração o momento em que a planta estará nas fases mais sensíveis do ciclo.
Período de estiagem também é fator de risco
Além do calor, o novo zoneamento considera o risco de falta de chuvas. O feijoeiro é mais vulnerável à falta de água durante a floração e no início da formação das vagens. O documento aponta que o período crítico começa cerca de 15 dias antes da floração.
A falta de água nessa fase pode reduzir o desenvolvimento das folhas, o tamanho e a quantidade de vagens e o número de sementes por vagem, comprometendo a produtividade.
Plantio passa a ser organizado por níveis de risco
O ZARC divide as indicações de plantio em três níveis de risco climático: 20%, 30% e 40%.
Para definir as áreas e períodos considerados aptos, o estudo levou em conta a possibilidade de baixa produtividade, ocorrência de temperaturas elevadas ou baixas durante a floração e excesso de água no final do ciclo.
A metodologia também considera diferentes características do solo e a capacidade de armazenamento de água disponível para as plantas.
O objetivo é indicar ao produtor períodos em que as condições climáticas apresentem menor possibilidade de comprometer a produção.
Novo calendário de períodos de plantio
O calendário estabelecido pelo ZARC trabalha com períodos de semeadura divididos em decêndios, ou seja, intervalos de dez dias.
A divisão permite avaliar o risco climático de cada período do ano considerando o intervalo entre a semeadura e a emergência das plantas, além de todo o ciclo da cultura.
O zoneamento considera que a emergência ocorre, em média, entre cinco e dez dias depois da semeadura. Caso haja atraso de 11 dias ou mais, deve ser utilizado como referência o risco do período anterior.
Confira:

A relação dos municípios acreanos aptos e os respectivos períodos de plantio está disponível no Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (SISZARC), no Painel de Indicação de Riscos do ZARC e no aplicativo Plantio Certo.



