A violência consome cerca de R$ 285 bilhões de reais por ano, o equivalente a 4,38% do PIB nacional. É o que mostra a pesquisa “Os custos da desigualdade – Uma carta às elites econômicas”, realizada pelo Instituto Ethos em parceria com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper, e recentemente lançada no como um livro com o mesmo título.
Entre os valores listados pelo estudo, estão o sistema prisional, saúde, perdas de capacidade produtiva e os gastos com segurança pública e privada. Os cálculos foram elencados no relatório “Custos Econômicos da Criminalidade no Brasil”, publicado em 2018 com base nos dados de 2015.
Segundo o estudo, cada vítima jovem de homicídio representa um prejuízo estimado em R$ 550 mil, considerando a capacidade produtiva que essa pessoa teria ao longo da vida.
Para os autores do estudo, o impacto da desigualdade também vai além do custo final, pois afeta o tamanho do mercado consumidor, a alocação de talentos e a arrecadação pública.
A pesquisa também relaciona o aumento da violência com a redução de até 6% na renda de trabalho feminino. De acordo com o texto, um cenário mais violento é responsável por reduzir a participação feminina no mercado de trabalho diante o medo e os riscos envolvendo tanto a prática laboral quanto o deslocamento até seus postos de trabalho.
Exclusão LGBT e o custo da desconfiança
A pesquisa também cita um estudo do Banco Mundial, que estima que a exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho brasileiro custe R$ 94,4 bilhões por ano ao considerar na soma os custos do desemprego, da inatividade, da informalidade na renda e das diferenças salariais.
A discriminação contra membros da comunidade também faz com que o país deixe de arrecadar cerca de R$ 14,6 bilhões de impostos anualmente.
“Durante muito tempo, a desigualdade foi encarada pelo mercado apenas sob o prisma ético. As evidências reunidas no estudo provam que ela compromete diretamente a competitividade das organizações, reduz a eficiência operacional e restringe o crescimento das próprias empresas. Enfrentar esse cenário é uma decisão estratégica de negócios”, afirma Ana Lucia Melo, diretora-adjunta no Instituto Ethos.
A publicação também aborda o conceito de “custo invisível da desconfiança”, que seria um encarecimento dos serviços e encurtamento do lucro no mercado gerados a partir da falta de coesão social.



