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Pesquisas mostram que eleição presidencial começa mais acirrada que a de 2022

A primeira rodada de levantamentos estaduais da Quaest na corrida presidencial deste ano mostra uma situação menos favorável ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que em 2022, quando concorreu como oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PL). Em São Paulo, Minas e no Rio, estados do Sudeste que estão entre os maiores colégios eleitorais do país, Lula inicia a campanha com o governo mais mal avaliado do que o de Bolsonaro nesses estados há quatro anos. O petista também aparece em situação mais parelha com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em intenções de voto no primeiro turno, embora tenha vantagem principalmente na região Nordeste.

Dados divulgados pela Quaest no último dia 14 mostraram Lula na liderança da corrida presidencial pelo país, com 38% das intenções de voto, contra 31% para Flávio. Em 2022, numa altura semelhante da campanha, o petista tinha 45% da preferência no primeiro turno nacionalmente, contra 33% para Bolsonaro.

Pesquisas Quaest: 2022 x 2026 — Foto: Editoria de Arte
Pesquisas Quaest: 2022 x 2026 — Foto: Editoria de Arte

Nos levantamentos por estado, a principal diferença neste ano está em Minas Gerais, onde Lula tinha cerca de dez pontos de vantagem para o então presidente em agosto de 2022, conforme a Quaest. Já na pesquisa divulgada na última terça, Lula aparece um ponto atrás de Flávio Bolsonaro no estado, em situação que configura empate técnico. Lula também está hoje em desvantagem numérica no Rio e em São Paulo.

— Lula é hoje mais fraco eleitoralmente do que era em 2022 na mesma altura do campeonato. A rejeição a ele e a percepção negativa sobre seu governo são maiores do que há quatro anos, quando Lula concorreu escorado numa memória mais positiva de sua passagem na Presidência — avalia o cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).

Presidente Lula inicia sua campanha pela reeleição no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — Foto: Edilson Dantas / O Globo
Presidente Lula inicia sua campanha pela reeleição no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — Foto: Edilson Dantas / O Globo

Na comparação com os dados de 2022, as pesquisas divulgadas pela Quaest nesses três estados mostram que a avaliação de Lula é pior hoje do que a de Bolsonaro à época. No Rio, por exemplo, a Quaest apontou, no último dia 24, que 45% dos entrevistados avaliam negativamente o governo Lula, ante 24% que o avaliam positivamente — outros 29% consideram a gestão “regular”. Há quatro anos, em levantamento divulgado na mesma data pela Quaest, o governo Bolsonaro era avaliado de forma positiva por 33% dos eleitores fluminenses, enquanto 42% tinham percepção negativa.

O cenário é semelhante em São Paulo, onde pesquisa da Quaest no início de setembro de 2022 mostrava o governo Bolsonaro com 31% de avaliação positiva e 40% de negativa. Já nesta semana, a Quaest detectou que 26% dos paulistas avaliam positivamente o governo Lula, e 48% o avaliam negativamente.

Em Minas, a avaliação negativa a Lula chega a 45%, 15 pontos a mais do que a percepção positiva. Trata-se do triplo da desvantagem que Bolsonaro tinha nesse quesito em 2022 no estado: em agosto daquele ano, 39% dos mineiros consideravam negativa a gestão do então presidente, enquanto 34% a avaliavam positivamente.

Para o cientista político Jairo Pimentel, professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, o atual patamar de avaliação do governo é um dos fatores que torna o primeiro turno deste ano “mais acirrado” para Lula do que em 2022. Pimentel, porém, observa que o patamar de intenções de voto de Flávio também é inferior ao do pai na mesma altura da campanha.

— Em 2022, Lula e Bolsonaro somavam 78% das intenções de voto nesse momento, enquanto Lula e Flávio somam 69%. Não há exatamente uma migração de votos do Lula para o Flávio. O voto hoje está menos cristalizado nos dois principais candidatos, com mais eleitores se dizendo indecisos — diz o especialista.

Segundo a Quaest, considerando as intenções de voto nacionais, a corrida presidencial deste ano tem 10% de eleitores se declarando indecisos, enquanto 8% afirmam que vão votar em branco, anular ou se abster. O somatório fica seis pontos acima do total que dizia o mesmo em 2022 (12%) a essa altura da campanha.

Neste ano, o somatório das intenções de voto dos demais candidatos (13%) também é ligeiramente superior ao desempenho acumulado (10%) dos que concorriam contra Lula e Bolsonaro há quatro anos.

Forças regionais

Nesta semana, a Quaest divulgou levantamentos em 23 estados e no Distrito Federal, que retratam as diferenças regionais na preferência por Lula ou Flávio. O atual presidente aparece na liderança nos sete estados do Nordeste — Alagoas, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte — com pesquisas divulgadas. Lula chega a registrar quase o triplo das intenções de voto de Flávio entre os pernambucanos.

Flávio Bolsonaro no lançamento da campanha à Presidência — Foto: Guito Moreto
Flávio Bolsonaro no lançamento da campanha à Presidência — Foto: Guito Moreto

O candidato do PL, por sua vez, se sai melhor nos três estados da região Sul, de acordo com a Quaest. Em Santa Catarina, Flávio aparece com mais do que o dobro das intenções de voto de Lula. No Rio Grande do Sul, onde a distância é menor (34% a 28%), eles chegam a empatar no limite da margem de erro, que é de três pontos, mas a tendência estatística desse cenário é de Flávio à frente.

O filho de Bolsonaro também está à frente em dois estados do Centro-Oeste, mas fica numericamente atrás de Lula no Distrito Federal. Já na região Norte, embora o atual presidente esteja à frente de Flávio em três dos quatro estados com sondagens da Quaest, a comparação com 2022 torna o cenário atual menos favorável.

No Amazonas, estado em que a Quaest mediu o eleitorado no início de setembro de 2022, Lula aparecia à época com 13 pontos de vantagem para Bolsonaro. No levantamento desta semana, a diferença é de apenas três pontos para Flávio, o que representa empate técnico. No Amapá, a vantagem também é de três pontos, similar à que Lula tinha para Bolsonaro em 2022 a essa altura, segundo o levantamento da Quaest.