O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, confirmou que a instituição investiga denúncias de extorsão praticadas por organizações criminosas contra candidatos que tentam realizar campanha ou afixar propaganda política em bairros dominados por facções. As declarações foram prestadas durante entrevista ao podcast Em Cena, exibido na segunda-feira (31).
Segundo apurado pela reportagem, apoiadores e equipes de campanha relatam que faccionados vêm exigindo o pagamento de valores — com cobranças que podem chegar a R$ 50 mil — para autorizar a entrada de candidatos nas comunidades, o colamento de adesivos em veículos de moradores ou a colocação de placas nas fachadas das residências.
Questionado sobre as denúncias de imposição de “pedágios eleitorais” nas eleições deste ano, o chefe da Polícia Civil garantiu que as forças de segurança já estão debruçadas sobre o esquema.
“Sim, nós recebemos denúncia. Existem investigações com relação a este fato. Isso é uma afronta ao Estado Democrático de Direito, né? A partir do momento em que você restringe ali a liberdade de expressão e a liberdade de votar daquelas pessoas. Então, com certeza, isso é um fato que preocupa, e não é um fato só aqui do estado do Acre”, afirmou Buzolin.
Durante a sabatina, o delegado-geral destacou que a tentativa das facções de criar um “poder paralelo” é combatida de forma contínua no estado. Embora não tenha confirmado o recebimento de relatos com a cifra exata de R$ 50 mil por candidato, Buzolin pontuou que a Polícia Civil já realizou prisões em flagrante por cobranças semelhantes impostas ao comércio local.
“Sobre esses valores [de R$ 50 mil] não, mas a gente tem conhecimento de alguns valores. Inclusive já prendemos alguns integrantes de organizações criminosas por essa cobrança, né? Às vezes uma cobrança de ‘segurança’ que eles fazem, em que extorquem os comerciantes. A gente já chegou a identificar a cobrança de R$ 100, R$ 150 mensais por comércio”, detalhou o delegado.



