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Família venezuelana com seis crianças vive há 15 dias nas ruas de Rio Branco e pede ajuda

Uma família venezuelana com seis crianças vive há 15 dias nas proximidades do posto Correntão, no acesso à BR-364, em Rio Branco. Nesta quinta-feira (3), a reportagem do ac24horas apurou que o grupo deixou a casa de passagem administrada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos após permanecer 12 dias no local, à espera de recursos para seguir viagem até Santa Catarina.

De acordo com a mãe das crianças, identificada como Sinde Julies, a saída do abrigo ocorreu por conta própria, e não por determinação da administração. “Saímos por conta própria, porque já tínhamos 12 dias”, declarou. Questionada sobre o motivo de não permanecer no local, ela afirmou, “lá no abrigo não nos dão a ajuda que precisamos, que são as passagens para chegar a Santa Catarina”. Sobre as condições oferecidas como comida e bebida, disse que “Sim, nos dão, mas nos dão só 15 dias para estar no abrigo e depois já não temos que sair do abrigo”.

O esposo dela, Juan Noris confirmou o prazo relatado pela família. Questionado se a saída havia sido solicitada pela administração do abrigo ou decidida pelo casal, respondeu que a família deixou o local por conta própria. Sobre o destino escolhido, explicou, “para Santa Catarina, porque a minha esposa tem uns familiares”.

A família recebe doações de moradores e depende de contribuições para reunir os cerca de R$ 5 mil necessários à viagem. O grupo permanece durante o dia no local onde recebeu a reportagem e passa as noites na casa de amigos.

A reportagem também identificou outros três adultos, entre eles venezuelanos e colombianos, que pedem ajuda financeira nas proximidades do espaço onde ocorre a Expoacre. Segundo a apuração, o fluxo de migrantes que passam por Rio Branco inclui pessoas de países africanos, e o estado do Acre é citado como ponto de acesso mais utilizado por quem busca seguir para outras regiões do país, como Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.

O secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Ivan Ferreira, afirmou que a casa de passagem opera há mais de quatro meses em Rio Branco e enfrenta superlotação. Segundo ele, o plano de contingência aprovado pelo governo federal e pelo Conselho Municipal de Assistência Social prevê capacidade para até 50 pessoas, número que já foi ultrapassado. “Nós já chegamos a ter na casa de passagem mais de 70 migrantes. Quando você atende essa quantidade, gera um tumulto muito grande, porque gera também conflitos dentro da casa de passagem”, declarou.

O secretário acrescentou que a superlotação leva parte dos migrantes a ficar em situação de rua, atendidos pelo serviço de abordagem social do município. “Nós temos atendido isso através das refeições, café da manhã, e procurado também dar sequência a isso, considerando também que muitos imigrantes estão procurando Santa Catarina, São Paulo”, afirmou. Segundo ele, a política migratória é de competência conjunta dos governos municipal, estadual e federal, e o diálogo é mantido com o Comitê de Migrações, o Ministério Público e órgãos de controle. Ferreira destacou ainda que muitos migrantes chegam à cidade em condições de saúde debilitadas, incluindo crianças e idosos.