Uma turista do Rio Grande do Sul procurou a Polícia Civil do Acre para denunciar um suposto abuso sexual ocorrido durante sua participação no Festival Mariri, realizado na Aldeia do Rio Gregório, em território Yawanawá. Jordana Gonçalves Galho, de 31 anos, afirma que foi vítima da violência enquanto dormia em uma barraca ao lado da filha, de 9 anos. O caso foi revelado pelo site Portal Acre.
Segundo o relato apresentado às autoridades, o episódio aconteceu na madrugada de 31 de agosto. Jordana contou que acordou ao perceber um homem tocando seu corpo e afirmou que ele teria tocado suas partes íntimas. De acordo com o depoimento, não teria ocorrido penetração.
A turista também relatou ter ficado preocupada com a possibilidade de a filha ter sido vítima de algum tipo de abuso enquanto dormia. No entanto, conforme registrado no depoimento, a menina não conseguiu confirmar se foi tocada e teria despertado após ouvir os gritos da mãe. Dessa forma, não há confirmação de violência contra a criança no relato apresentado à polícia.
Ainda segundo Jordana, o suspeito teria fugido depois que ela percebeu o que estava acontecendo, deixando um celular dentro da barraca. Pouco tempo depois, ele teria retornado ao local para buscar o aparelho. Nesse momento, a turista afirma que começou a gritar e pedir que o homem se afastasse.
Ela também declarou que pessoas responsáveis pela segurança do festival teriam contido o suspeito inicialmente, mas que ele teria sido liberado posteriormente. Jordana disse não saber identificar se os envolvidos eram policiais ou integrantes da segurança privada do evento.
O caso foi levado oficialmente à Polícia Civil no dia 2 de setembro, quando a turista prestou depoimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e de Proteção à Criança e ao Adolescente, em Cruzeiro do Sul.
Além da denúncia de abuso, Jordana afirma ter enfrentado dificuldades para conseguir informações sobre o homem apontado por ela como suspeito. A turista também acusa integrantes da organização do festival e uma liderança indígena de terem tentado convencê-la a não registrar a ocorrência.
As afirmações fazem parte do relato apresentado pela denunciante e ainda precisam ser apuradas pelas autoridades. Os citados também têm direito à manifestação e ao contraditório.
Jordana contou que permaneceu apreensiva enquanto ainda estava na aldeia, principalmente por estar acompanhada da filha e por considerar que estava em uma região de difícil acesso. Mãe e filha deixaram o local em 1º de setembro e seguiram para Cruzeiro do Sul, onde a denúncia foi formalizada no dia seguinte.
Após retornar ao Rio Grande do Sul, a turista afirma que também procurou o Ministério Público para comunicar o caso. Ela disse que decidiu tornar a história pública por recear que a denúncia não tivesse continuidade.
“Eu preciso me posicionar, eu preciso fazer isso valer para que não fique impune, não seja mais um caso”, afirmou ao Portal Acre.
Jordana também fez um apelo para que outras mulheres que enfrentem situações semelhantes procurem ajuda e denunciem.
A turista informou ainda que pagou R$ 19,2 mil pela experiência na aldeia, além de aproximadamente R$ 12 mil em passagens aéreas. Segundo ela, o valor total da viagem ultrapassou R$ 30 mil. Para Jordana, o investimento não correspondeu à estrutura de segurança e ao suporte que esperava encontrar durante a permanência no local.
O depoimento registrado na Polícia Civil reúne a versão apresentada pela turista sobre o episódio. A investigação deverá apurar as circunstâncias da denúncia, identificar o suspeito e esclarecer as demais acusações feitas por Jordana.



