Caian Zattar está no ar como o cantor Belchior na juventude na série “Alucinação”, do Canal Brasil. Ele conta como foi escolhido para o trabalho:
— Eu já estava de bigode havia um ano e meio. As pessoas começaram a falar que eu parecia muito com o Belchior. Eu estava gravando a novela “Elas por elas” e mantive o visual. Quando a novela acabou, a minha agência avisou sobre o teste. Mandei um vídeo cantando “Alucinação” e, umas duas semanas depois, pediram um teste de cena. O processo todo durou cerca de um mês e meio.
O ator conta que se conectou mais com a obra do artista por conta da série e que acabou se tornando fã:
— Antes, era uma figura de que eu gostava, mas não tinha parado para absorver tanto. Eu descobri o álbum “Alucinação” no final da minha adolescência. Mas eu fui criado à base de Raul Seixas, porque meu pai não escutava bastante. Conhecendo a história do Belchior e chegando a Fortaleza, eu entendi a importância dele para o povo do Ceará. Fui percebendo as conexões e as parcerias musicais com Fagner, Amelinha, Ednardo e toda aquela galera muito forte. A responsabilidade cresceu muito, mas, ao mesmo tempo, me deu a bagagem para entender quem ele era e a importância daquelas letras tão elaboradas.
Interpretando seu primeiro protagonista na TV, Zattar diz que não se acostumou com a fama:
— Sou uma pessoa muito chata nesse sentido, porque gosto muito da minha vida privada. Eu sempre andei pela rua sem problemas. Mas acho muito carinhoso quando alguém elogia o meu trabalho de forma educada. Inclusive, eu sou muito confundido com o Gabriel Leone (risos). Eu sempre tenho que perguntar se a pessoa está falando de mim ou dele. Muitas pessoas falam que somos parecidos. Ainda não nos conhecemos, mas ele parece ser uma pessoa muito legal.
Apesar de ter conquistado um papel de destaque, ele conta que ainda não se estabeleceu na carreira. Atualmente, ele concilia os projetos como ator com o trabalho em uma loja no Centro do Rio:
— Preciso ter dinheiro para pagar as contas. A equipe da loja conhece a minha dinâmica como ator, então não tem burocracia quando preciso sair para gravar. É um tapa-buraco para eu não ficar sem comer.
Paralelamente, ele também se dedica a projetos autorais:
— Nós estamos tentando furar a bolha do audiovisual. Eu escrevo mais séries e filmes, mas estamos focando em curtas-metragens agora.
Antes mesmo de virar ator, ele já acompanhava de perto a realidade da carreira artística. Caian é filho dos atores Adriana Zattar e Licurgo Spínola. Nos anos 1990, seu pai era um dos galãs da TV:
— Eu cresci vendo a instabilidade financeira da profissão. Tinha época com trabalho e dinheiro e época sem nada. Eu nunca romantizei a carreira. No final da adolescência, estávamos sem dinheiro para pagar a minha escola e eu comecei a trabalhar para ajudar. Virei modelo e fiquei nisso uns três anos. Depois fiz um curta-metragem, fiz outros trabalhos e fui contratado para a última temporada de “Malhação”, que acabou prematuramente por causa da pandemia.
O trabalho mais recente de Spínola na TV foi em 2018, na série “Magnífica 70”. Zattar conta como ele está atualmente:
— Desde a pandemia, em 2020, ele entregou a casa onde morávamos aqui no Rio e voltou para Curitiba, que é onde a minha avó mora. Ele vai muito para Maceió dar oficinas de teatro para pessoas em situação de rua e presidiários. Ele também está com um podcast bem legal chamado “Os Gralhas”, voltado para a cena artística.



