O procurador-geral da República, Paulo Gonet, participa nesta terça-feira da sessão de julgamento sobre as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
Autor de parecer que aponta a “nulidade” de relatório da Polícia Federal (PF) que tratou das mensagens do banqueiro para Moraes, Gonet também é citado pelo dono do Master, que tentava se livrar das investigações no fim do ano passado.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, Vorcaro pediu que Moraes tentasse reverter as investigações sobre a instituição financeira junto a Gonet e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu Vorcaro ao ministro.
Viagem para o filho
Mensagens apreendidas pela PF também mostram que o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, atuou para que Vorcaro bancasse uma viagem para o filho do procurador-geral para Londres.
Na conversa, de março de 2025, o advogado pergunta ao banqueiro se poderia incluir Pedro Gonet no grupo que iria participar de um evento na capital inglesa, ao que Vorcaro confirma.
O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nas conversas apreendidas pela PF, Ciro Soares chegou a enviar uma fotografia na qual aparecia ao lado de Gonet, e, na sequência, afirmou que o chefe da PGR queria falar com o então dono do Master.
Depois das mensagens, foram registradas quatro ligações entre Vorcaro e o telefone de Ciro.
Segundo a PF, a fotografia foi enviada por Ciro a Vorcaro às 14h13 do dia 15 de março de 2025. Logo depois, o advogado escreveu “Liga aqui” e acrescentou: “Ele quer falar com você”.
A partir das 14h23, o celular registra quatro chamadas de voz entre Vorcaro e Ciro. As ligações tiveram duração de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
O relatório não esclarece se Gonet participou das chamadas nem confirma que tenha conversado diretamente com Vorcaro.
Os registros mostram apenas que as ligações foram feitas para o telefone de Ciro depois que o advogado enviou a foto com o procurador-geral e afirmou que ele queria falar com o banqueiro.
A sequência foi localizada pela PF durante uma pesquisa por referências a Gonet nos dados extraídos do aparelho.
Os investigadores afirmam que não havia no celular de Vorcaro um contato salvo com o nome do chefe da PGR. As menções foram encontradas principalmente nas conversas entre o banqueiro e Ciro.
Duas semanas depois, em 28 de março de 2025, o advogado encaminhou a Vorcaro outras três mensagens e afirmou que elas haviam sido enviadas por Gonet. Entre os textos estavam “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”.
Vorcaro agradeceu pelas mensagens. Na sequência, Ciro afirmou que o procurador-geral “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo. No dia seguinte, o advogado perguntou ao banqueiro se o filho de Gonet poderia acompanhá-los na viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.
Em abril daquele ano, uma funcionária consultou Vorcaro sobre quais convidados poderiam viajar a Londres com as despesas pagas pela organização. O banqueiro autorizou o custeio para Ciro e para Pedro Gonet, filho do procurador-geral.
A PF não atribui, nesse relatório, uma conduta criminosa a Gonet.
O documento reúne mensagens e registros encontrados no telefone de Vorcaro em cumprimento a uma ordem de Mendonça para identificar pessoas citadas nas comunicações do banqueiro e apresentar as interações relacionadas a elas.



