O Acre terá de qualificar cerca de 23 mil profissionais até 2027 para atender à demanda de mão de obra gerada pela Rota Quadrante Rondon, corredor bioceânico que conecta o estado aos portos do Pacífico. A projeção é do Senai/AC e integra o relatório “Capital Humano e Educação”, produzido pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) em parceria com o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.
A maior parte dessa demanda está concentrada em duas áreas. Logística e transporte respondem por 5.204 vagas, e a construção civil, por 3.521. O restante se distribui entre indústria e serviços técnicos, com procura por eletricistas, mecânicos e soldadores.
O Plano Plurianual de 2024 a 2027 prevê cerca de 25 mil capacitações, volume superior ao projetado pelo Senai. O estudo pondera, no entanto, que a convergência é apenas quantitativa. O desafio está no prazo de formação e no grau de especialização exigido pelas empresas que devem operar no corredor.
Os números do mercado de trabalho local ajudam a dimensionar o problema. O Acre tem 653 mil pessoas em idade de trabalhar, mas menos da metade está ocupada. A média nacional é de 58%. A informalidade alcança cerca de 46% da força de trabalho, apenas 17% da população tem nível superior e 55% da indústria acreana opera com mão de obra sem qualificação formal.
O relatório aponta ainda que o PIB industrial do estado, de R$ 1,3 bilhão, está concentrado em produtos de baixo valor agregado. A oferta de educação profissional e técnica para adultos é considerada insuficiente, e poucos cursos preparam trabalhadores para logística, comércio exterior, bioeconomia, tecnologia, indústria e construção.
Se a qualificação local não avançar no ritmo necessário, o estudo prevê dependência externa. Na prática, empresas passariam a importar trabalhadores qualificados de outros estados, o que retiraria do território a riqueza gerada pelo corredor e reduziria a competitividade acreana diante dos mercados do Peru e da Bolívia.



