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O mapa do desfecho antecipado: pelo menos 11 estados podem encerrar disputa pelo governo no primeiro turno

A seis dias de a população brasileira ir às urnas, o cenário da disputa pelos governos de boa parte dos 26 estados e do Distrito Federal caminha para uma resolução rápida. Levantamento do GLOBO tomando como base as últimas pesquisas Quaest e Datafolha mostra que, dos 27 pleitos, ao menos sete têm altas chances de terminar ainda no primeiro turno, incluindo São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Em outros quatro, a exemplo da Bahia, palco do quarto maior número de votantes, as sondagens indicam probabilidade relevante de fatura liquidada já no próximo domingo.

No extremo oposto, considerando o cenário da semana anterior à eleição, somente três estados parecem seguir com segurança inequívoca para um segundo turno: Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso. Há ainda 13 corridas em que o panorama de momento desenha-se mais indefinido. Em 2022, 15 governadores — mais da metade, portanto — foram eleitos no primeiro turno.

Para que isso ocorra, um dos candidatos precisa alcançar mais da metade dos votos válidos, quando são desconsiderados os em branco ou nulos. Para categorizar as disputas, a reportagem adotou o seguinte critério: as maiores chances ocorrem onde o primeiro colocado na pesquisa já tem ao menos 50% dos votos válidos, com margem confortável para os concorrentes; o segundo nível traz cenários em que dois nomes ficam perto desse patamar em meio à ausência de rivais com desempenho relevante, ainda que sem um favorito para vencer, enquanto o terceiro abarca os locais onde os levantamentos deixam em aberto uma eventual resolução antecipada a depender da movimentação dos indecisos. Por fim, vêm os embates nos quais ninguém alcançaria a adesão necessária a despeito do caminho escolhido por essa fatia do eleitorado.

Numa das principais disputas do país, Tarcísio de Freitas (Republicanos) parece cada vez mais perto da reeleição em primeiro turno em São Paulo. O governador lidera com folga as pesquisas ante Fernando Haddad (PT), alcançando 50% no Datafolha mesmo no recorte de votos totais, chegando a 56% dos válidos. Já o ex-ministro soma 30% e 34%.

Se o aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta dificuldades no maior estado brasileiro, o cenário é inverso no Nordeste, onde a força petista se faz presente. No Piauí, por exemplo, Rafael Fonteles (PT) está bem encaminhado para uma recondução ao cargo, turbinado pelos 70% de aprovação ao seu governo.

Na Bahia e no Ceará, embora ainda apareçam numericamente atrás dos principais rivais, os postulantes à reeleição Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, ambos também correligionários do titular do Planalto, encurtaram a distância nas últimas semanas e estão em situação de empate técnico na última Quaest. Nesses estados, como não há outros concorrentes com votação significativa, a disputa tem grandes chances de terminar no primeiro turno, seja a favor dos petistas, seja a favor de ACM Neto (União) ou Ciro Gomes (PSDB), respectivamente.

— São muitos estados com apenas dois candidatos competitivos. Com isso, você antecipa o segundo turno para o primeiro. E só tem dois nomes competitivos porque a terceira via, a construção de alternativas, ficou sem espaço — pontua José Medeiros, professor da UFRJ e coordenador do Observatório Político e Eleitoral.

Reeleição encaminhada

Apoiados por Flávio Bolsonaro (PL), antagonista de Lula no duelo nacional, também chegam à reta final com grande favoritismo. Santa Catarina, reduto da direita, deve reeleger seu atual governador, Jorginho Mello (PL), um bolsonarista de primeira hora que supera a barreira dos 50% nos votos totais na Quaest e ostenta mais do que o dobro das intenções de voto nos rivais somadas.

— É um misto. Por um lado, tem a nacionalização da campanha. Do outro, uma realidade do cenário local. Via de regra, onde existe uma conexão maior com o cenário nacional, há claramente a influência dessa polarização da corrida presidencial — diz o doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Insper Leandro Consentino, frisando não ser possível analisar o fenômeno “no atacado”.

Em Roraima, o ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique (PL) mantém larga vantagem — 57% a 32% na Quaest — sobre Soldado Sampaio (Republicanos), ex-presidente da Assembleia Legislativa e atual governador interino. O correligionário de Flávio chegou a derrotar Sampaio em eleições suplementares em junho, mas não assumiu o cargo por problemas no registro de candidatura. Já no Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), outro aliado do bolsonarista, caminha para uma reeleição confortável impulsionado pelos 73% de aprovação ao governo, segundo a Quaest.