A eleição de Márcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos) para o Senado consolidará, a partir de 2027, uma bancada acreana formada por três nomes alinhados, em diferentes graus, ao campo bolsonarista. O cenário independe, inclusive, do resultado do segundo turno para o Governo do Acre: se Alan Rick (Republicanos) perder a disputa, permanece senador; se vencer, a cadeira passa para o primeiro suplente, Gemil Júnior, que também adota posições políticas identificadas com a direita conservadora.
Bittar e Mara conquistaram as duas vagas ao Senado colocadas em disputa nas eleições deste ano. Márcio Bittar foi o mais votado, com 223.972 votos, ou 25,59%, enquanto Mara Rocha recebeu 157.104 votos, equivalentes a 17,95%. Os dois assumem os novos mandatos em fevereiro de 2027.
A terceira cadeira pertence a Alan Rick, eleito em 2022 para um mandato que segue até 2031. Atualmente, porém, o senador disputa o segundo turno para o governo contra Mailza Assis (PP). No primeiro turno, Mailza recebeu 49,76% dos votos válidos, contra 32,27% de Alan.
Resultado do governo não muda configuração
Caso Alan não seja eleito governador, ele continuará exercendo o mandato no Senado ao lado de Bittar e Mara. Se vencer, quem assume a cadeira é Gemil Júnior, primeiro suplente registrado na chapa que elegeu Alan senador em 2022.
Gemil se apresenta publicamente como conservador e cristão. Em abril deste ano, ao falar sobre a possibilidade de assumir o mandato, declarou à A GAZETA: “Sou um homem de família, cristão e conservador”. O suplente também já manifestou posições convergentes com pautas defendidas por setores bolsonaristas no Senado, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para o comando da Casa.
Assim, embora os nomes e partidos possam mudar conforme o resultado das urnas no dia 25, a orientação política predominante nas três cadeiras acreanas do Senado tende a permanecer à direita e próxima do campo bolsonarista.
Histórico das urnas mostra força da direita no Acre
A configuração da bancada também acompanha uma característica observada nas últimas eleições presidenciais no estado. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) conquistou 70,30% dos votos válidos no Acre no segundo turno, contra 29,70% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quatro anos depois, o campo político ligado ao ex-presidente voltou a registrar votação expressiva no estado. No primeiro turno presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) terminou na primeira colocação entre os acreanos.
A presença da direita também aparece na composição da bancada eleita para a Câmara dos Deputados. Das oito cadeiras do Acre, seis serão ocupadas por parlamentares de PP, União Brasil, Republicanos e PL. Completam a bancada Pedro Longo (MDB) e Perpétua Almeida (PCdoB).
A composição partidária não permite classificar automaticamente todos esses deputados como bolsonaristas, já que existem diferenças de posicionamento dentro das próprias legendas. Ainda assim, o resultado mostra uma predominância de partidos da direita e centro-direita na representação acreana.
No Senado, o desenho é mais uniforme. Com Márcio Bittar e Mara Rocha eleitos, a terceira cadeira ficará com Alan Rick ou, em caso de vitória dele para governador, com Gemil Júnior. Dessa forma, o Acre chegará a 2027 com suas três vagas no Senado ocupadas por políticos que apresentam diferentes níveis de identificação ou alinhamento com o campo bolsonarista.



