O ContilNet recebeu nesta quinta-feira (8) uma denúncia sobre o empresário acreano Rodovaldo Teixeira de Brito Neto, conhecido como Neto Brito, que acumula uma dívida de pensão alimentícia superior a R$ 89 mil e tem uma ordem de prisão civil mantida pela Justiça do Acre. Segundo a pessoa que procurou a reportagem, sob condição de anonimato, o empresário se mudou para Palmas, no Tocantins, onde continuaria atuando no setor de entretenimento. O caso tramita na 3ª Vara de Família de Rio Branco, e o débito, calculado em R$ 89.340,55 em julho de 2026, já se aproxima dos R$ 100 mil.
Conhecido no Acre como Neto Brito, Rodovaldo Teixeira de Brito Neto ganhou notoriedade em Rio Branco por sua atuação no setor de entretenimento e gastronomia. Ao longo dos últimos anos, esteve à frente de diferentes empreendimentos na capital, entre eles a casa noturna Tardezinha, além de espaços como Paradiso, Tardezinha Grill, Quintal dos Brothers e outros negócios ligados ao ramo.

A trajetória empresarial também foi marcada por controvérsias. Em 2025, após o fechamento de alguns estabelecimentos, ex-funcionários e fornecedores passaram a fazer cobranças públicas relacionadas a supostos pagamentos pendentes. As manifestações foram divulgadas nas redes sociais e incluíram críticas ao empresário, com trabalhadores utilizando a hashtag #caloteiro para cobrar valores que afirmavam estar em aberto.
Em dezembro de 2024, Neto Brito também foi condenado, após um acordo judicial, ao pagamento de R$ 40 mil a uma instituição beneficente em um caso relacionado ao descumprimento de medidas sanitárias durante a pandemia de Covid-19. O valor foi destinado ao Educandário Santa Margarida.
Agora, o nome do empresário volta a aparecer em uma disputa judicial no Acre. Uma dívida de pensão alimentícia que já ultrapassava R$ 89 mil e uma ordem de prisão civil mantida pela Justiça contrastam, segundo relatos obtidos pelo ContilNet, com a continuidade das atividades de Neto Brito no setor de entretenimento em Palmas, no Tocantins.
O empresário teve a prisão civil decretada pela Justiça do Acre em março de 2026, quando o débito alimentar havia chegado a R$ 63.185,98. Na ocasião, foi determinada a prisão pelo prazo de 60 dias, em regime fechado e em local separado dos presos comuns.

O processo tramita na 3ª Vara de Família de Rio Branco. Com a atualização da cobrança, o débito chegou a R$ 89.340,55 em julho de 2026 e, segundo uma pessoa que acompanha o caso e falou ao ContilNet sob condição de anonimato, já se aproxima dos R$ 100 mil.
Segundo essa fonte, Neto Brito teria sido intimado sobre a cobrança e teria conhecimento da existência da dívida.
“Ele foi intimado pelo celular e tudo. Ele tem consciência da dívida e hoje está no bolo de quase R$ 100 mil essa dívida de pensão alimentícia”, relatou.
Ainda de acordo com a pessoa ouvida pela reportagem, os pagamentos teriam ocorrido apenas de maneira pontual. Ela afirma que houve o pagamento correspondente a três meses de pensão, mas que os valores não teriam sido quitados posteriormente de forma regular.
“Ele pagou somente uma vez, que foram três meses. Depois disso, não pagou mais nunca”, afirmou.
A cobrança judicial, segundo o relato, já se estende há cerca de um ano. Nesse período, teriam sido adotadas medidas para localizar e intimar o empresário. A fonte afirma que Neto deixou o Acre e passou a morar em Palmas, o que teria dificultado as tentativas de localização.
“Eu entrei na Justiça para poder localizar ele, para poder intimar e tudo. Foi o tempo que ele foi embora. Quando ele foi embora, fica mais difícil a situação”, disse.
Após deixar o Acre, Neto Brito teria continuado atuando no ramo de entretenimento no Tocantins. Conforme a fonte, entre os negócios ligados ao seu círculo de atuação estão o Arcos Music e o estabelecimento Seu Sérgio, ambos em Palmas.

A composição societária dos empreendimentos também foi mencionada pela fonte. Segundo ela, o Seu Sérgio aparece formalmente registrado em nome de Sérgio Rodrigues de Mendonça Cosson, apontado como tio de Neto. Já no caso do Arcos Music, a fonte afirmou que o empreendimento teria sido registrado anteriormente em nome de terceiros e que atualmente consta Jarleson Silva dos Santos como sócio, descrito por ela como alguém que teria trabalhado anteriormente para Neto.
“Lá ele tem dois empreendimentos que, por sinal, são muito bem. Ele vive uma vida lá em alto padrão. Ele tem o Arcos Music e o bar do tio Sérgio”, relatou.

O ContilNet não afirma que Neto Brito seja proprietário oculto dos empreendimentos citados nem que os sócios formais estejam sendo utilizados como intermediários. As informações sobre eventual participação do empresário nos negócios foram apresentadas pela fonte e não foram comprovadas pela reportagem.
A situação também envolve uma tentativa de acordo. Segundo a fonte ouvida pelo ContilNet, uma proposta teria sido apresentada no ano passado e aceita, mas não teria sido cumprida.
“Ele já tentou fazer propostas de acordo. Eu aceitei no ano passado, mas ele não cumpriu o acordo e aí seguiu”, relatou.
Em agosto de 2026, diante da permanência do débito, a Justiça manteve a ordem de prisão civil. A fonte afirmou não compreender por que o mandado ainda não teria resultado na prisão do empresário.
“O que acho estranho é ele ter o mandado de prisão e não ter sido preso”, disse.
A prisão civil por dívida de pensão alimentícia é uma medida prevista na legislação brasileira para pressionar o devedor a cumprir a obrigação alimentar. A medida possui natureza civil e não representa, por si só, uma condenação criminal.
A reportagem procurou informações sobre a situação do processo e o cumprimento da ordem judicial. Neto Brito e os responsáveis pelos empreendimentos mencionados também poderão apresentar suas versões e esclarecimentos sobre os fatos. O espaço segue aberto.



