O Juruá em Tempo O Juruá em Tempo
Acre

Acre aparece com 20 projetos de REDD+ em mapa nacional sobre mercado de carbono

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: AC24horas. 16/09/2026 às 08:09

O Acre reúne 20 iniciativas privadas de REDD+, mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação florestal, além de políticas estaduais voltadas ao mercado jurisdicional de carbono. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Fundação Rosa Luxemburgo, pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e pelo Coletivo de Pesquisa Desigualdade Ambiental, Economia e Política.

A pesquisa mapeou 118 projetos voluntários de REDD+ em todo o Brasil, concentrados principalmente na Amazônia. No caso do Acre, os pesquisadores sistematizaram informações sobre os 20 projetos, incluindo localização, área, situação, empresas e organizações envolvidas, certificadoras, compradores dos créditos e comunidades relacionadas às iniciativas.

O levantamento também considera os mecanismos estaduais de REDD+ existentes no Acre. A base identifica três marcos principais relacionados à política jurisdicional de carbono no estado: a Lei nº 2.308/2010, a participação no programa REM (REDD+ Early Movers) e o Decreto nº 11.732/2025, que atualizou a Estratégia de Repartição de Benefícios do ISA Carbono.

Criado em 2010, o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA) instituiu o ISA Carbono, política que estruturou o modelo de REDD+ jurisdicional do Acre. Segundo a plataforma, o estado acumula, desde então, registros de conflitos relacionados à política, incluindo denúncias de violações de direitos sobre terra e território, além de relatos de ameaças e violência física e psicológica.

O Acre também participa do REM, programa criado para remunerar resultados associados à redução do desmatamento. De acordo com os dados reunidos pela pesquisa, a segunda fase do programa, iniciada em 2018 e prevista até 2026, contou com 30 milhões de euros, além de £ 17,8 milhões do governo britânico. O levantamento informa ainda a participação de € 10 milhões do governo alemão nessa etapa.

Outro dado destacado pela pesquisa é a atualização das regras de distribuição dos recursos do ISA Carbono. O Decreto nº 11.732/2025 estabeleceu novos percentuais de repartição dos benefícios. Conforme a base, 28% dos benefícios são destinados ao Estado do Acre e 22% aos povos indígenas.

Além dos projetos privados e dos programas estaduais, o levantamento procura identificar como os créditos são comercializados e quais agentes participam das diferentes etapas do mercado. Entre novembro de 2025 e março de 2026, os pesquisadores consultaram registros de organizações internacionais e das principais certificadoras utilizadas no mercado voluntário brasileiro, incluindo Verra e Cercarbono.

A pesquisa alerta, contudo, que os registros disponíveis não informam necessariamente os valores efetivamente pagos pelas transações. Segundo os pesquisadores, é possível identificar volumes de créditos comercializados e seus beneficiários em determinados registros, mas não há informação pública suficiente para determinar quanto foi efetivamente pago em cada operação ou como os recursos foram distribuídos entre projetos, intermediários e comunidades.

Para estimar a dimensão financeira do mercado, o estudo utilizou como referência R$ 35 por crédito de carbono. Os pesquisadores ressaltam que esse valor é uma estimativa média e não representa necessariamente o preço efetivamente pago nas operações.

No Acre, a combinação entre os 20 projetos privados identificados e a estrutura estadual de REDD+ coloca o estado entre os territórios analisados pela pesquisa para compreender como diferentes modelos de mercado de carbono funcionam sobre a mesma base territorial.

O levantamento também reúne informações sobre comunidades relacionadas aos projetos e registros de conflitos socioambientais. Entre os aspectos investigados estão a participação das comunidades nas decisões, consulta, salvaguardas, transparência dos contratos, distribuição de benefícios e informações sobre a comercialização dos créditos.

A plataforma Territórios em Disputa: REDD+ e Conflitos no Brasil disponibiliza o banco de dados e o mapa interativo utilizados pelos pesquisadores. O material é apresentado como uma ferramenta de consulta para jornalistas, pesquisadores, comunidades, organizações da sociedade civil e gestores públicos interessados nos projetos e políticas de REDD+ no país.

Sair da versão mobile