Cerca de 57,1 milhões de litros de água contaminada por esgoto residencial foram despejados diariamente sem tratamento ao longo de 2024. O dado faz parte do estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil na última terça-feira (11).
Ao longo de todo o ano, o volume de esgoto residencial não tratado que chegou às bacias hidrográficas acreanas foi estimado em 20,8 milhões de metros cúbicos. Na média por morador, foram 64,8 litros despejados por dia.
O alto volume está relacionado à baixa cobertura dos serviços de saneamento no estado. Em 2024, apenas 25,1% da água consumida no Acre recebia tratamento antes de retornar ao meio ambiente. Dessa forma, 74,9% do volume era devolvido à natureza sem passar pelo processo.
Falta de acesso à coleta de esgoto também atingia grande parte da população acreana/Foto: SINISA
O percentual de tratamento no Acre também ficou abaixo do registrado nacionalmente. No mesmo período, 45,9% da água consumida no Brasil recebia tratamento antes do descarte.
A falta de acesso à coleta de esgoto também atingia grande parte da população acreana. Conforme o levantamento, 783 mil pessoas não estavam conectadas à rede geral em 2024, o equivalente a 89% da população dos 22 municípios. No Brasil, essa proporção era de 44,8%.
Segundo o estudo, fora das áreas rurais e urbanas isoladas que utilizam soluções individuais, como fossas sépticas, a ausência de infraestrutura adequada faz com que parte dos dejetos e da água utilizada nas residências seja lançada no meio ambiente sem coleta ou tratamento, ampliando os impactos sobre as bacias hidrográficas do estado.

