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Acre já recebeu mais de R$ 28 milhões em recursos federais para ações emergenciais

O Painel El Niño 2026-2027, divulgado em setembro pelos órgãos de monitoramento, aponta para a continuidade e intensificação do fenômeno. As projeções indicam seca prolongada e redução drástica dos níveis do Rio Acre, além de ondas de calor extremo, com temperaturas acima de 35 °C.

O cenário inclui ainda risco elevado de queimadas e incêndios florestais, problemas de abastecimento de água e energia em comunidades isoladas e impactos severos na agricultura e pesca, com perdas de produção e mortalidade de peixes.

Elaborado de forma conjunta pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o painel reúne informações técnicas sobre o monitoramento e as previsões relacionadas ao fenômeno, além de detalhar seus possíveis impactos em diferentes regiões do Brasil.

Acre já recebeu mais de R$ 28 milhões em recursos federais para ações emergenciais, destaca ministro Waldez Góes

Diante do cenário de seca severa, o governo do Acre publicou no Diário Oficial do Estado o Decreto nº 11.932, de 31 de julho de 2026, que estabelece situação de emergência em 22 cidades afetadas, medida já reconhecida pela União. O decreto tem prazo de vigência de 180 dias, autorizando a adoção de medidas excepcionais para mitigar os impactos da estiagem prolongada.

Em entrevista, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou as medidas adotadas pelo governo federal para apoiar o Acre diante das secas e enchentes que têm atingido o estado nos últimos anos. O ministro ressaltou que a orientação é estar próximo da população e oferecer respostas rápidas às emergências climáticas.

Acre já recebeu mais de R$ 28 milhões em recursos federais para ações emergenciais, destaca ministro Waldez Góes
Temperaturas devem subir cada vez mais, apontam projeções. Foto: Tácita Muniz

Aumento de até 2 °C na temperatura global

O ministro destacou que o governo federal vem aprimorando a integração entre os órgãos federais para enfrentar os impactos do super El Niño. Segundo ele, foi preparado há quatro meses um grande plano de resposta à emergência climática, considerando a possibilidade de aumento de até 2 °C na temperatura global, o que poderia causar transtornos severos, como dificuldades de mobilidade e abastecimento de alimentos, combustível e medicamentos em comunidades isoladas.

“O presidente Lula conseguiu coordenar um grupo de 20 ministérios, sob orientação da Casa Civil, e anunciou publicamente o Plano Nacional de Enfrentamento às Emergências Climáticas. Foram destinados R$ 1,3 bilhão para diversas ações preventivas, além da aquisição antecipada de 350 mil cestas básicas para comunidades vulneráveis”, afirmou Góes.

O ministro acrescentou que os recursos também contemplam medidas de monitoramento de saúde e clima, combate a queimadas e incêndios florestais, além de investimentos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que fortalece a agricultura familiar.

“Realizamos no Acre uma oficina de dois dias com prefeitos e o governo estadual para alinhar o plano federal às condições locais. A primeira providência é integrar as ações do governo federal com o governo estadual e municipal, garantindo que os recursos e medidas cheguem de forma rápida e eficaz às comunidades. A gente não pode diminuir o tamanho do El Niño, mas podemos amenizar o sofrimento da população, estando mais planejados, integrados e organizados”, afirmou o ministro.

Acre já recebeu mais de R$ 28 milhões em recursos federais para ações emergenciais, destaca ministro Waldez Góes
Ministro destaca que ações ocorrem de forma coordenada com Estado e municípios. Foto: Tácita Muniz

R$ 28 milhões para o Acre

A Defesa Civil Nacional autorizou, no último dia 18, o repasse de R$ 5.731.259,19 para o estado do Acre, destinados a ações emergenciais de enfrentamento à seca severa. Os recursos foram distribuídos da seguinte forma:

● Xapuri: R$ 956.916,00
● Brasiléia: R$ 1.642.992,60
● Mâncio Lima: R$ 1.112.289,00
● Feijó: R$ 2.129.111,40
● Marechal Thaumaturgo: R$ 1.089.000,00
● Epitaciolândia: R$ 282.092,00

Todos os municípios acreanos já tiveram situação de emergência reconhecida pelo governo federal e Goés destacou que o Acre já recebeu recentemente mais de 32 planos de trabalho aprovados, totalizando cerca de R$ 28 milhões em recursos federais.

Entre as ações, ele citou a reconstrução da Estação de Tratamento de Água de Rio Branco (ETA), projeto de R$ 16 milhões financiado por meio da Defesa Civil. Desse montante, R$ 11 milhões já foram repassados à prefeitura para execução da obra.

“Esse é um projeto que, em condições normais, poderia ser viabilizado por emendas parlamentares. Mas, diante da gravidade dos danos causados pela cheia, conseguimos justificar e aprovar o plano da prefeitura, garantindo o empenho dos R$ 16 milhões e o repasse imediato de R$ 11 milhões para iniciar a reconstrução da ETA”, explicou.

O ministro ressaltou ainda a proximidade com prefeitos e autoridades locais, destacando a agilidade no reconhecimento das situações de emergência e na liberação de recursos.

“Nossa presença junto aos prefeitos e ao governo estadual é intensa. Muitas vezes atuamos por telefone, em reuniões virtuais ou presenciais, para auxiliar na elaboração dos planos de trabalho e acelerar os processos. É a prefeitura e o governo que determinam as necessidades, seja água, comida, combustível, caminhão-pipa ou transporte aéreo, e nós garantimos as condições orçamentárias e financeiras para que a população seja atendida com rapidez”, afirmou.

Acre já recebeu mais de R$ 28 milhões em recursos federais para ações emergenciais, destaca ministro Waldez Góes
Goés destaca que esteve no Acre inúmeras vezes e que trabalha conhecendo a realidade de cada estado. Foto: Val Fernandes/Ascom PMRB

Investimentos no Acre

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, destacou que, paralelo a ações pontuais, áreas como mobilidade urbana, habitação, proteção de encostas, drenagem e saneamento têm recebido investimentos significativos, contribuindo para reduzir vulnerabilidades em estados como o Acre.

“O Acre tem recebido muitos recursos em mobilidade e infraestrutura, assim como na agricultura familiar e no agronegócio. Os valores destinados à agricultura familiar na Amazônia praticamente dobraram entre 2023 e 2026, chegando a quase triplicar em algumas linhas de apoio”, afirmou Góes.

O ministro ressaltou que políticas públicas de diversos ministérios têm sido intensas na região, com foco em diminuir desigualdades em relação a outras partes do país. Ele citou ainda investimentos em habitação e programas voltados para o campo, como crédito, assistência técnica e compras institucionais por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

“Além de crédito e apoio para comercialização, estamos entregando uma quantidade significativa de equipamentos às prefeituras, cooperativas e associações de produtores. E ainda temos milhares de equipamentos previstos para este ano, voltados à inovação e tecnologia no campo acreano”, destacou.

Acre já recebeu mais de R$ 28 milhões em recursos federais para ações emergenciais, destaca ministro Waldez Góes
Monitoramento noteria cada decisão tomada e agiliza ações. Foto: reprodução

Projeções norteiam a tomada de decisão

O ministro também explicou como funciona o monitoramento das ações no Acre. Cada município deve elaborar seu plano de contingência, assim como o estado. Quando os recursos locais não são suficientes, o governo federal entra em apoio imediato.

“Não há limites para o apoio. O que há é a necessidade de comprovar legalmente os danos. Uma vez reconhecida a emergência, nós entramos com rapidez, com recursos já antecipadamente disponibilizados”, disse.

Ele reforçou que o trabalho é integrado entre órgãos federais, estaduais e municipais, sempre com foco no cidadão.

“O mesmo cidadão que pode ser atingido por uma enchente ou por uma seca precisa ser protegido. Cabe ao poder público — prefeitura, governo estadual e governo federal — atuar de forma conjunta para reduzir o sofrimento da população”, afirmou.

Sobre as previsões, Góes destacou que a ciência já classifica o fenômeno atual como super El Niño , com possibilidade de aumento de mais de 2 °C na temperatura global. Isso significa situações extremas, como secas mais intensas e enchentes mais severas.

Na Amazônia Legal e no Pantanal, as temperaturas elevadas e a possibilidade de secas prolongadas aumentam significativamente os riscos de incêndios florestais, frequentemente agravados pelo uso inadequado ou criminoso do fogo.

Embora o cenário para o bioma Amazônia ainda seja incerto neste ano, devido ao volume incomum de chuvas para o período, permanecem em estado de alerta as áreas de transição entre a Amazônia e o Cerrado e, principalmente, o Pantanal.

O alerta já foi reforçado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino intimou a União e os estados dessas regiões a informarem, no prazo de até 10 dias úteis, quais providências e planejamentos estão sendo adotados diante das projeções climáticas divulgadas.

“Nós não podemos diminuir a seca, nem a chuva, nem a frequência dos eventos. Mas podemos estar mais unidos e preparados para reduzir o sofrimento da população. O Brasil tem cumprido suas metas ambientais, com redução de 50% do desmatamento na Amazônia, 33% no Cerrado e 65% no Pantanal. Ainda assim, os efeitos globais do aquecimento nos atingem”, concluiu.