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Acre registra 56 conflitos no campo e aparece entre os estados com mais ocorrências do país

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: AC24horas. 05/09/2026 às 07:19

O Acre registrou 56 conflitos no campo durante o primeiro semestre de 2026 e aparece entre os estados brasileiros com maior número de ocorrências ligadas a questões agrárias no período, segundo dados parciais divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na última quarta-feira (2).

O levantamento mostra que o Acre ficou atrás apenas do Maranhão, com 156 registros; Pará, com 90; Bahia, com 85; e Amazonas e Rondônia, ambos com 63 ocorrências. No ranking nacional, o estado acreano aparece à frente de unidades como Mato Grosso, Pernambuco, Paraná e Tocantins.

Ao todo, a CPT contabilizou 841 conflitos no campo no Brasil entre janeiro e junho deste ano. O número representa uma retomada do crescimento após a redução observada em 2025, quando foram registrados 798 conflitos no primeiro semestre.

Os dados nacionais estão divididos em três eixos: 711 conflitos relacionados à terra, 100 envolvendo a água e 30 ocorrências de trabalho escravo rural.

Embora o levantamento apresente o número total de conflitos por estado, os dados parciais divulgados pela CPT não detalham, no material disponibilizado, quais foram os tipos de conflitos que compõem os 56 registros contabilizados especificamente no Acre.

Violência pela terra cresce no país

No cenário nacional, a maior parte das ocorrências continua relacionada aos conflitos pela ocupação e posse da terra. As situações de violência nesse eixo passaram de 584, no primeiro semestre de 2025, para 663 no mesmo período deste ano. Por outro lado, as ações de resistência, como ocupações e acampamentos, caíram de 66 para 48 registros.

Entre as formas de violência que mais cresceram estão a contaminação por agrotóxicos, que passou de 98 para 169 ocorrências; as invasões de territórios, de 96 para 109; o desmatamento ilegal, de 67 para 107; e as ameaças de despejo, de 63 para 70.

Conflitos pela água mais que dobram

Os conflitos relacionados à água também apresentaram crescimento significativo no país. Foram 100 registros no primeiro semestre de 2026, contra 47 no mesmo período do ano passado, mais que o dobro. O Pará liderou esse tipo de ocorrência, com 16 casos, seguido por Minas Gerais, com 11, e Amazonas e Mato Grosso, com 10 registros cada.

Menos assassinatos, mas mais casos de violência

A CPT registrou seis assassinatos em conflitos no campo durante o primeiro semestre deste ano, número inferior aos 27 contabilizados no mesmo período de 2025. Apesar da redução nas mortes, o número geral de casos de violência contra pessoas aumentou. Foram 588 casos, envolvendo 497 vítimas.

A forma de violência com maior número de registros foi a contaminação por minérios, com 195 casos, seguida pela contaminação por agrotóxicos, com 132; criminalização, com 51; e ferimentos, com 42.

Segundo a CPT, os povos indígenas foram as principais vítimas das ocorrências, seguidos por trabalhadores e trabalhadoras sem terra, posseiros, seringueiros e quilombolas. A Comissão Pastoral da Terra ressalta que o levantamento do primeiro semestre é parcial e serve para indicar tendências dos conflitos agrários ao longo do ano.

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