O Acre tinha 67 leitos de UTI adulto e coronariana em dezembro de 2025, o equivalente a 0,76 leito para cada 10 mil habitantes, segundo o Dossiê Estadual da Medicina Intensiva no Brasil, pesquisa divulgada nesta terça-feira, 14. Do total, 55 eram leitos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 12 estavam fora da rede pública.
O levantamento também aponta que o estado possuía 17 registros de médicos especialistas em Medicina Intensiva, o equivalente a 1,92 registro para cada 100 mil habitantes. Como um mesmo profissional pode ter registro em mais de uma unidade da Federação, o dado se refere a registros estaduais e não necessariamente a 17 médicos diferentes.
O cenário de estrutura e força de trabalho aparece no mesmo momento em que um levantamento nacional aponta níveis elevados de desgaste emocional entre médicos que trabalham em unidades de terapia intensiva. O Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), ouviu 2.338 profissionais em todo o Brasil, e identificou que 48,5% apresentaram alto nível de esgotamento emocional.
Acre tem 55 leitos de UTI pelo SUS
No Acre, os 67 leitos identificados pelo dossiê são divididos entre 55 leitos SUS e 12 não SUS. Considerando a população estimada de 884.372 habitantes em 2025, a disponibilidade total era de 0,76 leito por 10 mil habitantes.
Para a população sem cobertura de plano médico-hospitalar, utilizada como referência para os leitos públicos, a taxa era de 0,64 leito SUS por 10 mil habitantes. Já entre os beneficiários da saúde suplementar, havia 5,85 leitos não SUS por 10 mil pessoas.
No país, o dossiê contabilizou 47.644 leitos de UTI adulto e coronariana, sendo 23.218 SUS e 24.426 não SUS. A disponibilidade total brasileira era de 2,23 leitos por 10 mil habitantes.
Estado tem um programa de residência em Medicina Intensiva
Na formação de novos profissionais, o Acre contava, em 2026, com um programa ativo de residência médica em Medicina Intensiva, que tinha três residentes: um no primeiro ano, um no segundo e um no terceiro ano.
O número corresponde a 0,34 residente de Medicina Intensiva por 100 mil habitantes.
Em todo o Brasil, eram 365 programas ativos de residência médica em Medicina Intensiva, com 1.799 residentes matriculados: 795 no primeiro ano, 561 no segundo e 443 no terceiro.
Quase metade dos médicos de UTI relata alto esgotamento
O levantamento nacional da AMIB e do CFM mostra que o desgaste emocional é um dos principais pontos identificados entre os profissionais que atuam em UTIs. Dos 2.338 participantes, 1.135, ou 48,5%, apresentaram nível elevado de esgotamento emocional. Outros 31,2% ficaram na faixa moderada, enquanto 20,3% apresentaram níveis baixos.
A pesquisa também avaliou a chamada despersonalização, relacionada ao distanciamento emocional e a atitudes cínicas no ambiente de trabalho. 16% dos médicos apresentaram nível elevado, enquanto 29,6% ficaram na faixa moderada e 54,4% na faixa baixa.
Outro indicador analisado foi a realização pessoal. 46,4% dos médicos relataram baixo nível de satisfação com o próprio desempenho profissional, enquanto 38,1% ficaram na faixa moderada e 15,5% apresentaram nível elevado.

